O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à eleição presidencial deste ano, disse à Reuters que, apesar dos rumores e da crescente ansiedade do mercado, ainda está longe de decidir sobre o principal nome da futura equipe econômica de sua chapa.
"A escolha do nome é o que eu vou fazer muito mais para frente", disse ele em entrevista em Paris na noite de terça-feira. "Agora, eu estou conversando com muitos economistas."
O senador anunciou no final do ano passado que representaria o legado de seu pai nas urnas após o ex-presidente ser condenado por atentar contra a democracia para se manter no poder e, posteriormente, ser preso.
Nos últimos meses, investidores especularam se o filho de Bolsonaro havia discutido uma posição em sua equipe com o ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida ou com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Mas Flávio negou ter tido tais discussões.
"São dois economistas brilhantes, inclusive, que trabalharam durante o governo do presidente Bolsonaro", disse ele.
Uma pessoa próxima a Mansueto, que falou sob condição de anonimato, também disse que ele não tem intenção de se juntar a nenhuma campanha política.
A especulação em torno do nome de Mansueto, atualmente sócio e economista-chefe do banco de investimentos BTG Pactual, se intensificou depois que ele adotou um tom mais crítico em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira em um evento do BTG em São Paulo, uma mudança em relação à sua postura moderada anterior.
Mansueto alertou que, sem contenção de gastos, o Brasil corre o risco de taxas de juros altas prolongadas que sufocam o crescimento. Ele disse mais tarde à Reuters que seus comentários eram apenas um diagnóstico da política econômica do governo.
As pesquisas mostram que Lula é o favorito para as eleições presidenciais deste ano no Brasil, apesar do crescente apoio a Flávio Bolsonaro.
Durante sua entrevista na França, Flávio Bolsonaro também disse que suas visitas a vários países, incluindo Estados Unidos e França, visam reforçar a credibilidade de sua candidatura e o interesse de investidores no Brasil. Ele delineou pilares fundamentais de sua plataforma política: uma postura dura no que se refere à segurança pública, impostos mais baixos e reforma fiscal.
Essa aproximação, disse ele, reflete o perfil presidencial que pretende projetar: um líder "pragmático, centrado, equilibrado".