As exportações brasileiras de carne de frango para o Oriente Médio recuaram em março, refletindo os impactos logísticos do conflito na região, mas sem interromper o fluxo de embarques.
Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embarques para o bloco somaram 108,1 mil toneladas no mês passado, queda de 19,8% na comparação anual e de 18,5% frente a fevereiro. Apesar da retração, a região ainda respondeu por 22% das exportações totais do Brasil em março, evidenciando a manutenção da relevância do mercado mesmo em um cenário adverso.
Dados por país obtidos pelo Estadão/Broadcast mostram que a Arábia Saudita, principal destino na região, elevou as compras em 13,5% ante fevereiro, para 38,4 mil toneladas, embora ainda registre queda de 5,3% na comparação anual. O país respondeu sozinho por 7,8% das exportações brasileiras no mês.
Em contrapartida, Emirados Árabes Unidos apresentaram forte recuo, com queda de 41,3% na comparação mensal e de 19,7% em relação a março de 2025, somando 25,9 mil toneladas. Kuwait (-33,7% na comparação mensal), Iraque (-49,0%) e Jordânia (-16,2%) também registraram retrações expressivas, indicando dificuldades logísticas mais intensas em parte da região.
Entre os poucos destaques positivos, Catar avançou 32,6% na comparação anual, enquanto Turquia (+4,0% anual e +4,5% mensal) e Omã (+2,2% mensal) também apresentaram crescimento, ainda que com menor peso relativo. O recuo mais acentuado foi observado no Iraque, com queda de 72,4% na comparação anual, seguido por Iêmen (-38,8%) e Jordânia (-36,0%), mercados mais sensíveis às restrições operacionais e de acesso.
Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o fluxo comercial tem sido mantido por rotas alternativas. "Apesar da queda comparativa registrada no Oriente Médio, os expressivos volumes comprovam que o fluxo de exportações segue acessando a região por meio das rotas alternativas", afirmou, em nota.
Mesmo com a retração regional, o desempenho global das exportações brasileiras de frango permaneceu positivo. O País embarcou 490,4 mil toneladas em março, alta de 6,2% ante igual período do ano passado e de 1,7% frente a fevereiro, indicando redirecionamento de cargas e resiliência da demanda internacional.