EUA firmam acordo comercial e reduz para 15% tarifas sobre produtos taiwaneses

Pacto visa locar nos EUA cerca de 40% da cadeia de suprimentos e produção de chips de IA da ilha

16 jan 2026 - 01h18
(atualizado às 06h20)

Após meses de negociações, os Estados Unidos anunciaram, nesta quinta-feira, 15, que vão reduzir para 15% as tarifas recíprocas sobre produtos taiwaneses. Segundo o Departamento de Comércio do país, o acordo "impulsionará uma realocação maciça da indústria de semicondutores" dos EUA. O pacto também vai aumentar os investimentos das gigantes de semicondutores da ilha asiática na indústria de tecnologia americana.

Na última terça, 13, Taiwan disse que tinha alcançado 'consenso' com os EUA sobre acordo comercial que visava diminuir os impactos do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump no ano passado.

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Antes, a taxação sobre os produtos taiwaneses era de 20%, aplicados reciprocamente para compensar o déficit comercial americano e práticas que os EUA consideram desleais.

As tarifas setoriais sobre autopeças, madeira e produtos derivados de madeira também serão limitadas a 15%, enquanto medicamentos genéricos e alguns recursos naturais não estarão sujeitos a tarifas "recíprocas", acrescentou o departamento americano.

Em contrapartida, empresas de chips e tecnologia farão "novos investimentos diretos totalizando pelo menos US$ 250 bilhões" para expandir a capacidade em áreas como semicondutores avançados e inteligência artificial nos Estados Unidos.

As empresas taiwanesas que construírem novas fábricas de chips no país norte-americano poderão importar até 2,5 vezes a capacidade planejada sem pagar tarifas específicas do setor durante a construção. A cota será reduzida para 1,5 vezes a capacidade planejada após a conclusão dos projetos.

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Segundo o Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, "o objetivo é trazer 40% de toda a cadeia de suprimentos e produção de Taiwan para os Estados Unidos", afirmou em entrevista à CNBC.

Como parte do acordo, a gigante taiwanesa de semicondutores TSMC, a maior produtora terceirizada do mundo de microchips, usados desde a fabricação de iPhones até os sistemas de IA de ponta da Nvidia, adquiriu terrenos para expandir as operações da empresa no Arizona.

Taiwan é considerada uma potência global na fabricação de chips essenciais para o desenvolvimento da IA, cobiçados por grandes empresas americanas e uma moeda de troca para garantir ajuda de Washington.

O acordo comercial é firmado num momento em que a ilha democraticamente eleita enfrenta tensões crescentes com a China, que a reivindica como parte de seu território e não descarta o uso da força para controlá-la. /AFP

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