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'Estamos a apenas 2 anos de distância de um salto muito importante no avanço da IA', diz Levy

Avanço acelerado da inteligência artificial e incertezas do mercado global desafiam o Brasil, afirma ex-ministro da Fazenda em painel da Fundação Getulio Vargas (FGV) na Rio Innovation Week

5 ago 2026 - 16h39

O maior desafio para o Brasil, nos próximos dois anos, será lidar com o rápido avanço da inteligência artificial nos países ricos e com as incertezas no cenário econômico internacional. A avaliação é do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, hoje diretor de estratégia econômica e relações com mercados do Banco Safra.

"Estamos a apenas dois anos de distância de um salto muito importante no avanço da IA", afirmou o ex-ministro, que participou remotamente do painel "FGV: Dinâmica econômica mundial e os desafios socioeconômicos brasileiros", no segundo dia da Rio Innovation Week, conferência sobre inovação realizada esta semana no Píer Mauá, no Rio.

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"Ou seja, um horizonte relativamente curto; isso significa, para os países emergentes, um aumento da distância entre quem tem IA e quem não tem. Como navegar essa onda sem os mesmos recursos é o principal desafio das economias emergentes."

'As pessoas não acham que a gente vai quebrar, mas eu já vi muita mudança rápida no mercado', diz Levy
'As pessoas não acham que a gente vai quebrar, mas eu já vi muita mudança rápida no mercado', diz Levy
Foto: Fabio Motta/Estadão / Estadão

O cenário econômico internacional continuará marcado por incertezas nos próximos meses em razão de três processos simultâneos: além do avanço da IA, o ex-ministro citou a desinflação ainda incompleta no período pós-pandemia, os desafios fiscais dos Estados Unidos.

Segundo Levy, a palavra que melhor resume o momento da economia global é "incerteza". Ele ponderou que, embora a inflação tenha recuado nas principais economias, o processo de desinflação ainda não está concluído e segue sujeito a surpresas, em um ambiente de reorganização do comércio internacional.

Par o sócio e economista-chefe da JGP Fernando Rocha, que também participou do painel, o maior desafio para o País a curto prazo é fazer um ajuste forte e rápido nas contas públicas. Rocha classificou como "explosiva" a trajetória atual da dívida pública e apontou para a possibilidade de um estresse no mercado financeiro se o ajuste fiscal não for realizado nos próximos quatro anos.

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Segundo ele, o mercado está "tranquilo" porque o cenário internacional é favorável ao Brasil. "As pessoas não acham que a gente vai quebrar, mas eu já vi muita mudança rápida no mercado", ponderou.

Ajuste fiscal 'precisa ser muito rápido e muito forte'

A diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, Solange Srour, que também participou do painel, concorda com o colega. Segundo ela, a desaceleração da economia brasileira "já está contratada". A economista disse que a intensidade desse movimento dependerá da condução da política fiscal nos próximos anos e do cenário internacional.

Segundo Srour, o ajuste fiscal necessário para estabilizar a dívida pública "precisa ser muito rápido e muito forte". Na avaliação dela, o atual patamar dos juros reflete a percepção de risco em relação às contas públicas e dificulta uma trajetória de crescimento sustentado da economia.

A economista afirmou que o elevado endividamento das famílias, aliado à manutenção de juros altos por um período prolongado, pode levar o país a uma crise mais severa. "Não tem como a economia crescer com esse desequilíbrio fiscal enorme", disse.

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Na análise do pesquisador Samuel Pessoa, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a política econômica conduzida pelo governo nos últimos anos é insustentável. Segundo o economista, os indicadores atuais da economia brasileira ainda são favoráveis, com mercado de trabalho aquecido e crescimento da atividade, mas esse quadro não deve se sustentar.

"A foto do País é muito boa porque o desemprego está nas mínimas históricas, o crescimento foi bom, mas até no desemprego há insustentabilidade", afirmou Pessoa.

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