Decisão, que entra em prática no início de maio, é duro golpe para a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seu líder de facto, a Arábia Saudita, em meio à crise energética mundial.Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28/04) sua retirada da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da aliança Opep+ a partir da próxima sexta-feira (1º/05), noticiou a agência de notícias oficial WAM.

Petroleiro perto do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos
Petroleiro perto do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos
Foto: DW / Deutsche Welle

A decisão é um duro golpe para a Opep e seu líder de facto, a Arábia Saudita, num momento de grave crise energética mundial devido à guerra no Irã.

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Os membros da entidade respondem por cerca de 35% da produção mundial de petróleo, e 50% do que é comercializado internacionalmente, segundo a EIA, escritório de estatísticas de energia do governo americano. Já a Opep+ responde por metade da produção mundial de hidrocarbonetos.

A saída dos Emirados Árabes Unidos, membro de longa data da Opep, pode desordenar e enfraquecer o grupo, que geralmente busca apresentar uma frente unida apesar das divergências internas sobre uma série de questões, da geopolítica às cotas de produção.

A atuação do grupo é determinante para os preços do petróleo, já que ele atua reduzindo ou aumentando a produção conforme a demanda do mercado.

Os Emirados são o terceiro maior produtor de petróleo na Opep, atrás apenas de Arábia Saudita e Iraque.

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O ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mohamed al-Mazrouei, disse à agência de notícias Reuters que a decisão foi tomada após uma análise cuidadosa das estratégias energéticas do país.

Ele acrescentou que os Emirados Árabes Unidos não consultaram a Arábia Saudita nem qualquer outro país antes de tomar a decisão. "Esta é uma decisão política, tomada após uma análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção", declarou.

Vitória para Trump

Mazrouei avaliou que a medida não terá um grande impacto no mercado devido à situação no Estreito de Ormuz, onde o bloqueio iraniano prejudica as remessas de petróleo do Golfo Pérsico.

Porém, a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep representa uma vitória para o presidente dos EUA, Donald Trump, que acusa a organização de "explorar o resto do mundo" ao inflacionar os preços do petróleo.

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Trump também vinculou o apoio militar dos EUA ao Golfo Pérsico aos preços do petróleo, dizendo que, enquanto os EUA defendem os membros da Opep, eles "exploram isso impondo altos preços de petróleo".

Críticas aos países árabes

A decisão foi anunciada depois de os Emirados Árabes Unidos, um centro de negócios regional e um dos aliados mais importantes de Washington, terem criticado outros países árabes por não terem feito o suficiente para protegê-los dos ataques iranianos durante a guerra.

Anwar Gargash, assessor diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, criticou a resposta dos países árabes vizinhos aos ataques iranianos numa sessão do Fórum de Influenciadores do Golfo nesta segunda-feira. "Os países do Conselho de Cooperação do Golfo se apoiaram mutuamente em termos logísticos, mas, política e militarmente, acho que sua posição tem sido a mais frágil historicamente", disse Gargash.

O comunicado desta terça-feira afirma que, "durante nosso tempo na organização, fizemos contribuições significativas e sacrifícios ainda maiores em benefício de todos. No entanto, chegou a hora de concentrarmos nossos esforços naquilo que o nosso interesse nacional exige".

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as/ra (Reuters, Efe, AFP, ots)

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