ZURIQUE - Aumentou o temor de queda das ações das empresas de tecnologia ligadas à inteligência artificial (IA), movimento que pode ter repercussões na atividade econômica de diversos países. É o que mostra pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 16, pelo Fórum Econômico Mundial feita com economistas-chefes de grandes bancos e empresas que participarão do evento em Davos na próxima semana, de 19 a 23 de janeiro.
Os economistas ressaltam que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial tem mostrado resistência, mas cresceu a preocupação com a situação fiscal de países desenvolvidos e emergentes, a ponto de entrar no radar desses profissionais a chance de crise da dívida soberana. Dos entrevistados, perto de 30% não descartam uma crise da dívida em mercados desenvolvidos em 12 meses, enquanto nos emergentes esse porcentual sobe para 47%.
A avaliação de parte importante dos economistas é que a dívida pública, que já está bem alta em muitos países, deve seguir crescendo, se não houver uma consolidação fiscal. Aumento dos gastos com defesa, em meio à piora da situação geopolítica, e alta dos investimentos na infraestrutura para a tecnologia digital podem pressionar os déficits públicos pela frente.
Para os gastos com defesa, 97% dos economistas-chefes antecipam aumento destas despesas nos mercados desenvolvidos e 74% nos emergentes. Em conversa nesta sexta com jornalistas, o CEO do Fórum, Borge Brende, afirmou que o encontro deste ano em Davos acontecerá no cenário geopolítico mais complexo desde 1945.
Para lidar com gastos maiores, governos podem buscar aumento de impostos — 62% dos economistas veem esse movimento como provável nos países desenvolvidos e 53% nos emergentes.
"A pesquisa com os economista-chefes revela três tendências definidoras para 2026: aumento dos investimentos em IA e suas implicações para a economia global; dívidas públicas se aproximando de patamares críticos com mudanças sem precedentes nas políticas fiscal e monetária; e realinhamentos comerciais", disse Saadia Zahidi, diretora executiva do Fórum Econômico Mundial.
Sobre o crescimento do PIB, a maioria dos economistas destaca que o PIB mundial tem sido "resiliente", mesmo frente a um ambiente de incerteza elevada e piora geopolítica. Assim, caiu de 72% no levantamento anterior, feito em setembro de 2025, para 53%, o porcentual desses profissionais que esperam enfraquecimento das economias este ano.
O PIB pode ser afetado por um estouro na bolha de IA, alertam os economistas. Dos entrevistados, 52% esperam queda das ações de IA este ano nas bolsas americanas, mas outros 40% veem chance de novas altas. Se houver uma queda acentuada, 74% acreditam que os impactos se espalhariam pela economia mundial.