Economistas temem bolha de IA e veem chance de crise da dívida, mostra pesquisa às vésperas de Davos

Maioria dos especialistas ouvidos pelo Fórum Econômico Mundial destaca que PIB mundial tem sido 'resiliente', mesmo com incerteza elevada e piora geopolítica

16 jan 2026 - 14h10

ZURIQUE - Aumentou o temor de queda das ações das empresas de tecnologia ligadas à inteligência artificial (IA), movimento que pode ter repercussões na atividade econômica de diversos países. É o que mostra pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 16, pelo Fórum Econômico Mundial feita com economistas-chefes de grandes bancos e empresas que participarão do evento em Davos na próxima semana, de 19 a 23 de janeiro.

Os economistas ressaltam que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial tem mostrado resistência, mas cresceu a preocupação com a situação fiscal de países desenvolvidos e emergentes, a ponto de entrar no radar desses profissionais a chance de crise da dívida soberana. Dos entrevistados, perto de 30% não descartam uma crise da dívida em mercados desenvolvidos em 12 meses, enquanto nos emergentes esse porcentual sobe para 47%.

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A avaliação de parte importante dos economistas é que a dívida pública, que já está bem alta em muitos países, deve seguir crescendo, se não houver uma consolidação fiscal. Aumento dos gastos com defesa, em meio à piora da situação geopolítica, e alta dos investimentos na infraestrutura para a tecnologia digital podem pressionar os déficits públicos pela frente.

Para os gastos com defesa, 97% dos economistas-chefes antecipam aumento destas despesas nos mercados desenvolvidos e 74% nos emergentes. Em conversa nesta sexta com jornalistas, o CEO do Fórum, Borge Brende, afirmou que o encontro deste ano em Davos acontecerá no cenário geopolítico mais complexo desde 1945.

Para lidar com gastos maiores, governos podem buscar aumento de impostos — 62% dos economistas veem esse movimento como provável nos países desenvolvidos e 53% nos emergentes.

"A pesquisa com os economista-chefes revela três tendências definidoras para 2026: aumento dos investimentos em IA e suas implicações para a economia global; dívidas públicas se aproximando de patamares críticos com mudanças sem precedentes nas políticas fiscal e monetária; e realinhamentos comerciais", disse Saadia Zahidi, diretora executiva do Fórum Econômico Mundial.

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Sobre o crescimento do PIB, a maioria dos economistas destaca que o PIB mundial tem sido "resiliente", mesmo frente a um ambiente de incerteza elevada e piora geopolítica. Assim, caiu de 72% no levantamento anterior, feito em setembro de 2025, para 53%, o porcentual desses profissionais que esperam enfraquecimento das economias este ano.

O PIB pode ser afetado por um estouro na bolha de IA, alertam os economistas. Dos entrevistados, 52% esperam queda das ações de IA este ano nas bolsas americanas, mas outros 40% veem chance de novas altas. Se houver uma queda acentuada, 74% acreditam que os impactos se espalhariam pela economia mundial.

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