O dólar operava em alta no Brasil nesta quinta-feira, negociado a R$ 5,13, acompanhando a valorização global da moeda frente a tensões no Oriente Médio e dados de inflação e emprego nos EUA. As intervenções do Banco Central, que realizou leilões de liquidez de US$ 1 bilhão, não alteraram a tendência de alta. No cenário doméstico, o mercado também segue atento a fatores políticos e desdobramentos de recentes decisões no Supremo Tribunal Federal sobre investigações e a cúpula da Polícia Federal.
O dólar se mantinha em alta no Brasil nesta manhã de quinta-feira após leilões cambiais do Banco Central, enquanto no exterior a moeda norte-americana também sustentava ganhos ante boa parte das demais divisas, com investidores atentos à guerra no Oriente Médio e a novos dados econômicos nos Estados Unidos.
Às 10h06, o dólar à vista subia 0,42%, a R$5,1327 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para outubro -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- avançava 0,55%, aos R$5,1560.
O Banco Central vendeu nesta manhã, em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso -- neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.
As duas operações simultâneas são conhecidas como "casadão" pelos investidores e dão liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.
Às 11h30, o BC realizará seu leilão regular de rolagem, com oferta de 50.000 contratos de swap cambial tradicional para 1º de outubro.
No exterior, a sessão é até o momento de alta para o dólar ante divisas fortes como o iene, o euro e a libra. A moeda norte-americana também subia ante divisas de emergentes como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.
Às 10h08, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,33%, a 99,102.
O avanço ocorre já após os EUA informarem que os preços ao produtor no país em agosto subiram 0,4% e os pedidos de auxílio-desemprego caíram 1.000 na última semana, para 206.000 em dado com ajuste sazonal, ante projeção dos economistas ouvidos pela Reuters de 205.000 pedidos.
O Brasil pega carona no movimento externo, com o dólar em alta ante o real, ainda que os investidores não tirem do foco a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e seus desdobramentos eleitorais.
Na véspera, o presidente da corte, ministro Edson Fachin, cassou decisões liminares concedidas anteriormente pelos colegas André Mendonça e Flávio Dino que discutiam a permanência ou não no cargo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Além disso, retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news.
O dólar à vista encerrou a sessão de quarta-feira com alta de 0,44%, aos R$5,1114.
(Edição de Eduardo Simões e Isabel Versiani)