Após subir nas quatro sessões anteriores, o dólar fechou a sexta-feira em leve baixa ante o real, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, com investidores atentos às articulações de paz no Oriente Médio.
O dólar à vista fechou o dia com baixa de 0,20%, aos R$5,1643. Na semana, a divisa acumulou alta de 2,04% e, no ano, queda de 5,92%.
Às 17h06, o dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,06% na B3, aos R$5,1780, mas com apenas cerca de 130 mil contratos negociados até esse horário.
Em função do feriado de Juneteenth, não houve negociações nas bolsas dos Estados Unidos nesta sexta-feira, o que reduziu a liquidez nos mercados globais de moedas, incluindo o brasileiro.
No exterior, o foco das atenções dos investidores globais seguiu voltado para a guerra no Oriente Médio. Após a Suíça informar que as negociações dos EUA com o Irã para encerrar o conflito não ocorreriam nesta sexta-feira, como era esperado, Teerã minimizou o adiamento, afirmando que já estão em andamento preparativos para as conversas nos próximos dias.
Além disso, Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, chegaram a um acordo de cessar-fogo, após uma escalada dos combates no Líbano que ameaçava as negociações de paz.
Em meio ao cenário ainda nebuloso no Oriente Médio, o petróleo oscilava em alta nesta tarde, na faixa dos US$80 o barril, mas o dólar recuava ante divisas como o euro , a libra e o iene , além de moedas emergentes como o peso mexicano e o real.
O recuo da moeda norte-americana, ainda que contido, ocorreu após duas sessões de ganhos globais, na esteira da decisão de política monetária do Federal Reserve na tarde de quarta-feira. Na ocasião, o Fed manteve sua taxa de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, mas deu indicações de que um aumento pode ocorrer ainda em 2026.
Já o Banco Central do Brasil promoveu o terceiro corte seguido de 0,25 ponto percentual e, em comunicado considerado confuso por alguns membros do mercado na noite de quarta-feira, deixou a porta aberta para mais cortes da Selic, hoje em 14,25%.
O diferencial de juros entre Brasil e outros países -- como EUA e Japão, cujas taxas estão em níveis bem menores -- vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 60.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.
(Edição de Isabel Versiani)