O dólar fechou a segunda-feira em alta no Brasil, acompanhando o desempenho da divisa norte-americana no exterior, que seguiu forte mesmo em meio ao alívio nos mercados globais após a trégua nos ataques entre Estados Unidos e Irã.
O dólar à vista encerrou o dia com variação positiva de 0,62%, aos R$5,1130.
Às 17h43, o dólar futuro para agosto -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,41% na B3, aos R$5,1200.
O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, disse ao programa "Fox News Sunday" e a outros veículos de comunicação dos EUA que o presidente Donald Trump havia decidido suspender os ataques para dar mais tempo à diplomacia.
Nesta segunda-feira, Trump afirmou que os EUA estão mantendo "boas negociações" com o Irã e que "há uma boa chance de que algo possa acontecer" em relação a um possível acordo. Ele também ameaçou com uma "forte ação militar" caso a diplomacia fracasse.
A trégua fez os contratos futuros do petróleo Brent caírem 8,7%, fechando a US$88,36 o barril, menor valor desde 17 de julho.
Nesse contexto, a divisa norte-americana apresentou desvalorização em relação ao euro e ao iene, e um desempenho misto em relação a moedas emergentes pares do real.
Contudo, o dólar se recuperou no exterior das mínimas do dia, uma vez que a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano foi mais modesta em comparação com a queda nos rendimentos em outros mercados, oferecendo suporte à moeda norte-americana.
Às 17h43, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,27%, a 101,530.
Isso se refletiu no Brasil, com o dólar subindo ante o real, ainda que, em tese, a trégua no Oriente Médio deveria trazer alívio para o mercado de câmbio doméstico. Segundo analistas, fatores locais pesaram nas negociações.
"Em resumo, o real opera hoje dividido entre o alívio global, com petróleo em queda e trégua no Oriente Médio, e o componente doméstico, político e fiscal, que sustenta alguma demanda por proteção. Dia de digestão e não de tendência definida nos mercados", disse Rafael Stephano, advisor sênior da Blue3 Investimentos.
Nesta segunda-feira, pesquisa BTG/Nexus apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manteve com 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que caiu um ponto percentual, para 43%, em relação ao levantamento anterior publicado em 13 de julho.
Pela manhã, a pesquisa Focus do Banco Central mostrou que as projeções para o câmbio no final de 2026 se mantiveram em R$5,20, enquanto para o final de 2027 houve aumento de R$5,28 na semana anterior para R$5,29.
Nesta semana, a agenda traz os dados de julho do IPCA-15 na terça-feira, enquanto, no exterior, as atenções se voltam para a decisão de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira.