Uma análise divulgada pelo Financial Times nesta sexta-feira, 24, coloca o Brasil como o país mais prejudicado dentre os que sofreram com o novo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Por outro lado, os países europeus são os que saíram como "vencedores".
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O jornal britânico especializado no mercado financeiro escreveu que "o Brasil, sobre o qual Trump impôs tarifas específicas no início deste mês, é de longe o maior perdedor, com sua alíquota efetiva saltando de 11% para 17,7%".
A análise foi feita pelo Global Trade Alert, órgão independente de monitoramento do comércio, e comparou o novo tarifaço com o regime tarifário anterior que Trump tentou construir, mas que foi derrubado pela Suprema Corte norte-americana.
As alíquotas aplicáveis à França, ao Reino Unido, à Alemanha e à Espanha sofreram redução, enquanto países da Ásia e da América Latina sofreram com aumento de tarifas. China, Vietnã e Indonésia registraram aumentos nas taxas de entre 0,5 e 1 ponto percentual, assim como o Chile e a Colômbia.
Ainda com relação aos países europeus, parte deles saiu ganhando por causa da composição de suas exportações para os EUA e às isenções a produtos como diamantes, cortiça e ferro-gusa. Além disso, nesse novo regime tarifário, alíquota aplicada à União Europeia não é cumulativa a outras taxas.
Para analistas ouvidos pelo jornal, o fato dessas novas tarifas estarem baseadas na Seção 301 da Lei do Comércio de 1974 lhes confere uma base jurídica mais sólida, já que a gestão Trump elaborou 60 diretrizes distintas para cada parceiro comercial individualmente.
Assim, para que as tarifas sejam contestadas seria preciso abrir uma representação contra cada uma das diretrizes. "Uma contestação bem-sucedida contra a medida aplicada a uma economia dificilmente levaria, por si só, à revogação das outras cinquenta e nove", disse George Riddell, diretor-geral da consultoria de comércio Goyder.