Do Mercosul, o agronegócio será o maior beneficiário do acordo com a União Europeia, avalia Eurasia

Do lado europeu, a indústria, sobretudo a pesada, deve obter os maiores ganhos entre os exportadores do bloco, conforme relatório; serviços prestados pela UE também sairiam ganhando

16 jan 2026 - 19h38

BRASÍLIA - O agronegócio latino-americano será, do lado do Mercosul, o maior beneficiário do acordo comercial entre o bloco e a União Europeia, avalia a Eurasia Group em relatório. Já a indústria europeia, sobretudo a pesada, deve obter os maiores ganhos entre os exportadores do bloco, bem como os setores de serviços, segundo a Eurasia.

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"Empresas europeias de veículos, maquinário e produtos farmacêuticos estarão particularmente bem posicionadas. Alguns setores do agronegócio europeu também verão benefícios significativos — principalmente produtores de vinho e alimentos premium, especialmente aqueles protegidos por indicações geográficas, que deverão ser incorporadas pelo Mercosul com poucas exceções", observaram os analistas no relatório.

A assinatura do acordo de livre comércio entre os blocos está prevista para este sábado, 17, no Paraguai. Na análise da Eurasia, a implementação do acordo deve começar em 2027, a depender da velocidade de aprovação pelos Parlamentos dos países envolvidos.

O que pode atrasar a implantação do acordo

Entretanto, alerta para a votação na próxima semana no Parlamento Europeu sobre encaminhar ou não o acordo à Corte Europeia de Justiça. Em contrapartida, avalia a Eurasia, países do Mercosul tendem a trabalhar para ratificar "rapidamente" o acordo neste ano.

A Eurasia destaca ainda que o pacto marca a primeira vez em que países do Mercosul concedem termos preferenciais amplos a terceiros. "O pacto é tanto uma estratégia política quanto uma parceria comercial. Os benefícios econômicos projetados são modestos em termos de Produto Interno Bruto (PIB), em parte devido ao longo período de implementação do acordo, mas ele forjará vínculos econômicos mais estreitos entre UE e Mercosul que devem trazer efeitos econômicos positivos ao longo do tempo", avalia a Eurásia.

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Quanto vai impactar no PIB?

A consultoria avalia ainda que as estimativas econômicas sobre o impacto do acordo comercial sobre o PIB tanto do Mercosul, quanto da União Europeia, são modestas. "Estimativas oficiais de 2020 indicam que o pacto adicionará 0,1% (€ 11 bilhões) ao PIB da UE e 0,3% (€ 7,4 bilhões) ao do Mercosul nos primeiros 12 anos de implementação.

A parceria econômica ampla trará benefícios que vão além do modesto incremento do PIB. Embora o impulso ao crescimento seja limitado, a redução de custos e a abertura de oportunidades de negócios em ambos os lados serão significativas, observa a Eurasia.

Neste sentido, o acordo deve beneficiar sobretudo pequenas e médias empresas e atrair mais investimentos, aponta a Eurásia. O Mercosul deve se beneficiar de maior investimento europeu a partir do acordo, projeta a Eurasia, podendo expandir seu papel nas cadeias globais de valor.

O Mercosul deverá também obter benefícios indiretos com a integração "mais profunda" às cadeias globais de suprimento e com oportunidades de investimento.

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Outro ponto em destaque pela Eusaria é o uso do acordo por ambos blocos para avançar em ambições geopolíticas, em resposta às políticas americanas e à concorrência da China.

A consultoria aponta que tendências geopolíticas e o desejo compartilhado de expandir mercados de exportação e assegurar cadeias de suprimento também devem sustentar o fortalecimento dos vínculos econômicos entre a UE e o Mercosul, sobretudo em contexto de crescentes conflitos geopolíticos. "A riqueza de recursos do Mercosul adiciona outra dimensão geopolítica", ressaltaram os analistas.

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