Shell poderá assumir controle da Raízen após fracasso das negociações, dizem fontes

4 mar 2026 - 15h03

A produtora brasileira de açúcar e etanol Raízen poderá acabar sob o controle da gigante petrolífera Shell, listada na bolsa de Londres, após o colapso das negociações de resgate que envolviam parceiros da joint venture e credores, segundo duas fontes familiarizadas com o assunto.

Meses de negociações entre a Shell, coproprietária da Raízen, e a Cosan, para injetar ⁠capital novo na empresa, que está bastante endividada, foram interrompidos nesta semana, segundo quatro pessoas ‌familiarizadas com o assunto.

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A Raízen, uma das maiores produtoras de etanol do mundo, vem registrando uma série de prejuízos e sua dívida aumentou consideravelmente nos últimos trimestres. ‌Em fevereiro, a maior produtora de açúcar do mundo ‌alertou para uma "incerteza significativa" quanto à sua capacidade de continuar operando, o que ⁠levou acionistas e credores a se mobilizarem para salvar a companhia.

Uma das quatro fontes, que pediu para não ser identificada porque as negociações são privadas, disse que a Shell está agora em contato com bancos e credores sobre o resgate da Raízen, acrescentando que essas negociações serão lideradas pela fabricante de açúcar, e que ainda pretende injetar ‌capital mesmo que a Cosan não faça o mesmo.

A Shell não respondeu imediatamente aos pedidos ‌de comentários. Raízen e Cosan ⁠recusaram-se a comentar.

INJEÇÃO DE ⁠CAPITAL

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A Shell e a Cosan detêm, cada uma, 44% da Raízen, empresa criada como uma joint ⁠venture em 2011.

A gigante petrolífera britânica estava ‌disposta a investir R$3,5 bilhões na ‌empresa de açúcar e esperava que a Cosan igualasse esse valor, disseram três pessoas, ecoando comentários feitos na terça-feira pelo presidente-executivo da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa.

Uma injeção de capital sem paralelo da Shell diluiria a participação ⁠da Cosan, mas a extensão dessa diluição dependerá do montante da dívida que será convertido em ações nas negociações com os credores, acrescentou outra pessoa.

Embora a Cosan tenha afirmado estar preparada para contribuir com R$1,5 bilhão, incluindo R$500 milhões do acionista Rubens Ometto, um empresário brasileiro, ela avisou que não tinha ‌condições de igualar o investimento proposto pela Shell, disseram duas pessoas.

Durante as negociações, a Cosan propôs levantar mais R$6,3 bilhões de fundos de private equity ligados ao banco de ⁠investimentos brasileiro BTG Pactual, bem como de outras fontes potenciais de financiamento, desde que a maior parte do dinheiro fosse destinada ao negócio de distribuição da Raízen, disseram três fontes.

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A proposta refletia a preferência dos investidores pelo braço de distribuição de combustíveis da empresa, que eles consideravam mais líquido, mas a Shell não concordou com essa estrutura, acrescentaram as fontes.

O BTG Pactual recusou-se a comentar.

Duas fontes afirmaram que não há novas conversas agendadas no momento, embora as discussões possam ser retomadas caso todas as partes concordem.

A dívida líquida da RaÍzen subiu para R$55,3 bilhões no final de dezembro devido a uma combinação de gastos elevados com investimentos, condições climáticas instáveis e incêndios florestais que prejudicaram as colheitas e reduziram os volumes de moagem. A empresa produziu cerca de 3,16 bilhões de litros de etanol em 2024.

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