'Corrupção é de indivíduos, não de instituições', diz ministro da CGU sobre escândalo do Master

Em meio aos desdobramentos de um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil, o do Banco Master, o país participa de mais uma rodada de avaliações da OCDE sobre o combate à corrupção. O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius de Carvalho, está em Paris para uma série de reuniões dos 46 países signatários da Convenção Antissuborno, um dos principais mecanismos internacionais de enfrentamento do crime.

18 mar 2026 - 10h06
(atualizado às 11h57)

O país passa pela quarta fase de análises da implementação do acordo, após adotar recomendações da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico nessa área. Para ele, o caso Master é um exemplo do compromisso do governo federal em aumentar a transparência e os mecanismos de investigação e controle da corrupção.

"Algumas coisas são imprescindíveis. Primeiro, é esse compromisso do Estado de fazer as investigações, de apurar e de não deixar nenhuma denúncia passar. Segundo, fazer isso com transparência e de forma republicana, sem ficar escolhendo quem investiga", disse ele, em entrevista à RFI. "Chegou uma denúncia? Tem que investigar, tem que avaliar e tem que fazer o seu trabalho."

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As fraudes envolvendo o banco de Daniel Vorcaro e suas conexões com diversas instituições e personalidades da República foram descobertas na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Entre os envolvidos, estão dois servidores do Banco Central, que até janeiro trabalhavam em setores essenciais da fiscalização do sistema financeiro brasileiro. Eles são suspeitos de terem recebido suborno em troca de facilitar as operações ilícitas do Banco Master por anos.

Bolsonaro não investigou

O ministro da Controladoria-Geral da União salienta que os crimes investigados tiveram início na gestão de Jair Bolsonaro. "São todas situações que aconteciam desde lá arás, desde o governo anterior. Infelizmente não foram investigados quando eles podiam ter sido e talvez até evitado que esses casos ganhassem a dimensão que ganharam", argumentou.

Carvalho salientou, entretanto, que "a corrupção não é necessariamente das instituições", mas sim "praticada por indivíduos". "Nós precisamos separar as coisas, porque senão a gente pode entrar num ciclo muito ruim de que você tem um ato corrupto de um indivíduo e isso contaminar a imagem da instituição. A instituição passa a ser vista como uma instituição corrupta, e isso gera uma perda de confiança da sociedade", adverte. "Essa perda de confiança pode gerar a busca por soluções de caráter autoritário, que questionem a própria democracia e o Estado de direito."

O escândalo já traz lições sobre os próximos passos do combate à corrupção no país, avalia Carvalho. A tecnologia é uma aliada cada vez mais valiosa nessa luta.

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O uso de inteligência artificial pela CGU, por exemplo, permitiu gerar uma economia de mais de R$ 2 bilhões aos cofres públicos em 2025. O software Alice analisa licitações e contratos e identifica eventuais focos de possível desperdício de verbas públicas.

"A cada escândalo, nós precisamos pensar o que a gente precisa fazer para melhorar as instituições. Todas elas, e não é diferente com o Banco Central, nem com a CGU, precisam sempre se aperfeiçoar e aperfeiçoar suas regras e suas regulações, e assim a gente acaba fazendo com que um escândalo como esse não aconteça de novo", sublinhou o ministro. "Você muda as formas de fiscalização, os métodos regulatórios e, com isso, previne e dificulta que outro escândalo aconteça."

Melhora do índice de confiança

Nos últimos anos, o Brasil se tornou um dos países que oferecem maior transparência no acesso a dados públicos. Apesar do longo trabalho que resta pela frente para o combate a desvios, a confiança dos brasileiros nas instituições está em alta, revelou uma pesquisa da OCDE no fim de 2025.

O índice de confiança no governo federal subiu de 26%, em 2022, para 38%, e de 24% para 42% no serviço público, no mesmo período. Além disso, o percentual de brasileiros que acreditam que servidores públicos recusariam suborno passou de 18% para 36%.

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