Oferecimento

Conselho da Volkswagen enfrenta negociações decisivas sobre fechamento de fábricas e demissões

9 jul 2026 - 10h37

O plano da Volkswagen de ‌cortar até 100 mil empregos e fechar quatro fábricas na Alemanha enfrenta um grande desafio nesta quinta-feira, quando os grupos que controlam a maior montadora da Europa se reúnem para discutir as propostas, enquanto trabalhadores protestam contra a reestruturação.

Diante de altos custos e excesso de capacidade no mercado interno, da crescente concorrência chinesa e das tarifas de importação dos EUA, a Volkswagen está sob pressão sem precedentes para reestruturar ⁠o modelo de negócios que sustentou seu sucesso por décadas.

Publicidade

A perspectiva de fechamento de fábricas e cortes drásticos ‌de empregos em uma das empresas mais tradicionais da Alemanha, fundada há 89 anos, também ressalta os desafios para a maior economia da Europa, que enfrenta um crescimento fraco e altos custos de mão ‌de obra e energia.

Em uma reunião do conselho fiscal na sede ‌da Volkswagen em Wolfsburg prevista para esta tarde (horário local) o presidente-executivo Oliver Blume precisará convencer ⁠os influentes representantes sindicais do conselho a aceitar cortes mais profundos em todo o grupo, que inclui as marcas Audi e Porsche.

Ele também está sob pressão das famílias proprietárias da Porsche e da Piech, cujos principais investimentos perderam dezenas de bilhões de euros em valor de mercado nos últimos anos.

Em Wolfsburg, os trabalhadores apitavam, agitavam bandeiras vermelhas do sindicato e marchavam atrás de uma faixa com os dizeres "gemeinsam stark" — "fortes juntos" — enquanto ‌uma buzina soava ao fundo.

Publicidade

O sindicato IG Metall informou que cerca de 400 pessoas estavam se manifestando somente ‌em Wolfsburg.

Um porta-voz da Volkswagen disse ⁠que a empresa compartilha ⁠das preocupações dos trabalhadores em relação ao futuro, mas está reduzindo a complexidade e se concentrando em tecnologia para fortalecer ⁠sua competitividade.

"Estamos ajustando nosso portfólio de investimentos e simplificando nossas ‌estruturas corporativas", disse o porta-voz em ‌comunicado enviado por email. "E sim, também teremos que reduzir o excesso de capacidade."

DEMISSÕES EM MASSA

No que seria a maior reestruturação da Volkswagen até o momento, fontes afirmaram que Blume está considerando fechar quatro fábricas na Alemanha — em Hanover, Emden, Zwickau e a unidade da Audi em Neckarsulm — e ⁠cortar até 100 mil empregos, aproximadamente o dobro do número planejado atualmente.

A produção em Zwickau e Emden deve ser encerrada gradualmente em cinco anos, informou a revista Spiegel, citando fontes do conselho fiscal. A fábrica de veículos comerciais de Hanover seguiria o mesmo caminho em 2032, e a fábrica da Audi, em 2034.

Publicidade

O conselho fiscal da Volkswagen inclui representantes das famílias ‌proprietárias, dos sindicatos e do governo do Estado da Baixa Saxônia, uma estrutura de divisão de poder que muitas vezes complica a tomada de decisões.

Antes da reunião, a revista WirtschaftsWoche informou que a Baixa ⁠Saxônia estava disposta a aceitar o fechamento de fábricas, embora uma fonte do governo estadual tenha descartado isso como "um completo absurdo".

No âmbito do último acordo de reestruturação de Blume, no final de 2024, os sindicatos garantiram um compromisso da administração de evitar o fechamento de fábricas na Alemanha, levando a Volkswagen a buscar usos alternativos para instalações subutilizadas.

Esses esforços incluem uma busca de longa data por um parceiro do setor de defesa para a fábrica de Osnabrück e a possibilidade de produzir na Alemanha modelos projetados para o mercado chinês.

Publicidade

Dados da Mobility Global analisados pela Reuters estimam que as fábricas de automóveis do grupo na Alemanha operarão a 81% da capacidade padrão em 2026. Espera-se que esse número caia para 73% até o final da década, mesmo após a retirada prevista de Osnabrück da rede.

Entre as quatro unidades ameaçadas de fechamento, prevê-se que Zwickau tenha a maior taxa de utilização em 2026, de 88%. Mas espera-se que esse número caia para 42% até 2030, segundo os dados.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se