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China suspende importação de carne de aves de Santa Catarina após Doença de Newcastle

País asiático retirou a habilitação de 14 frigoríficos de produtos avícolas localizados no Estado

20 out 2026 - 12h07
(atualizado às 20h35)
Resumo
A China suspendeu a importação de aves de Santa Catarina e desabilitou 14 frigoríficos locais após a confirmação da Doença de Newcastle em Nova Itaberaba. Inicialmente, o Brasil havia travado os envios de todo o território nacional por protocolo, mas Pequim limitou o embargo apenas ao estado catarinense, que responde por cerca de 20% das vendas ao país asiático. O foco está sob controle sanitário, e o Ministério da Agricultura assegura que o consumo de produtos inspecionados segue seguro.

BRASÍLIA - A China suspendeu a importação de produtos avícolas provenientes do Estado de Santa Catarina após a confirmação de um caso de Doença de Newcastle em um aviário comercial de perus em Nova Itaberaba, no Estado.

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A suspensão consta no sistema de registro de empresas importadoras de alimentos da China (Ciferquery SingleWindow), gerido pela Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês), responsável pelas liberações e suspensões de importadores. A suspensão é válida para embarques desde ontem.

Com a medida, o país asiático retirou a habilitação de 14 frigoríficos de produtos avícolas localizados no Estado, até então aptos a exportar à China. São eles:

  • BRF S.A., de Concórdia (SIF 1);
  • JBS Aves Ltda., de Nova Veneza (SIF 1155);
  • Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Quilombo (SIF 1798);
  • Seara Alimentos Ltda., de Forquilhinha (SIF 2172);
  • Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Maravilha (SIF 3125);
  • Seara Alimentos Ltda., de São José (SIF 3742);
  • Seara Alimentos Ltda., de Seara (SIF 490);
  • Seara Alimentos Ltda., de Itapiranga (SIF 576);
  • Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Xaxim (SIF 601);
  • BRF S.A., de Videira (SIF 87);
  • Seara Alimentos Ltda., de Itajaí (SIF 3403);
  • Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Guatambu (SIF 1084);
  • Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Itajaí (SIF 31);
  • BRF S.A., de Chapecó (SIF 104).
China suspende importação de carne de aves de Santa Catarina após Doença de Newcastle
China suspende importação de carne de aves de Santa Catarina após Doença de Newcastle
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Estadão

Ontem, o Ministério da Agricultura suspendeu cautelarmente a exportação de carne de aves de todo o País para a China. A suspensão cautelar e temporária foi comunicada em ofício circular do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), da Secretaria de Defesa Agropecuária da pasta, a frigoríficos exportadores e aos Serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoas), na noite de ontem, conforme documento obtido pelo Estadão/Broadcast. A medida atende ao protocolo sanitário de exportação acordado entre os países.

Entretanto, segundo interlocutores, a GACC comunicou ao Ministério da Agricultura e aos importadores que limitaria a restrição apenas ao Estado de Santa Catarina. Agora, o Ministério da Agricultura deve ajustar a suspensão em comunicado aos exportadores. A China é o principal destino da carne de frango e de derivados do Brasil.

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A suspensão temporária ocorre após o Ministério da Agricultura ter confirmado ontem a ocorrência de um caso de Doença de Newcastle (DNC) em um criadouro comercial no oeste catarinense, com cerca de 6 mil aves.

O foco está sendo controlado pelo serviço veterinário oficial, com base no protocolo previsto no Plano de Contingência de Influenza Aviária e Doença de Newcastle, com restrição a propriedades na área próxima à granja e suspensão da saída de aves do local onde o foco foi identificado. A pasta declarou emergência zoossanitária em quatro municípios catarinenses: Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que acomete aves domésticas e silvestres e provoca sinais respiratórios, seguidos por manifestações neurológicas.

Segundo o Ministério, o estabelecimento avícola foi "imediatamente interditado" e as aves serão eliminadas. Não há informações sobre a origem da doença. O Ministério esclareceu que o consumo de produtos avícolas inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial (SVO) "permanece seguro e sem contraindicações".

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Este é o segundo caso já registrado de Newcastle em produção comercial no Brasil. O primeiro foi em 17 de julho de 2024, quando um foco foi identificado em um estabelecimento de avicultura comercial de corte em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, o foco foi debelado em menos de dez dias após a confirmação, com notificação de conclusão em 25 de julho daquele ano.

Impacto da doença diminui com restrição da China só a frango de SC, diz secretário

A decisão da China de limitar a suspensão de importação de produtos avícolas do Brasil a embarques provenientes de Santa Catarina diminui o impacto comercial decorrente dos embargos temporários após um foco da Doença de Newcastle (DNC) em Nova Itaberaba, em Santa Catarina, avalia o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Billi.

"Santa Catarina respondeu em 2025 por cerca de 20% das exportações de carne de aves para a China. Com a limitação do embargo, reduzimos o impacto preservando os outros 80% exportados", disse ao Estadão/Broadcast.

A China é o principal destino externo de produtos avícolas do Brasil. Santa Catarina exportou US$ 114,730 milhões em carne de frango, peru, pato e ganso para a China em 2025, somando 53,657 mil toneladas, segundo dados do Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio do Ministério da Agricultura.

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Ao todo o Brasil exportou US$ 599,969 milhões de carne de aves ao país asiático, somando 247,942 mil toneladas. Portanto, o estado catarinense respondeu por 19% das exportações brasileiras de carne de aves à China no último ano.

O protocolo sanitário acordado entre os países prevê que em casos de zoonoses as exportações de todo o território nacional sejam suspensas. A autoridade sanitária chinesa, entretanto, comunicou ao governo brasileiro que iria suspender apenas a entrada de produtos avícolas de Santa Catarina, onde o caso foi detectado.

"Essa mudança é fruto de intensificação do relacionamento e da confiança bilateral. O Brasil preventivamente suspendeu a certificação do Brasil inteiro, mas diplomaticamente pedimos para que a China considerasse o embargo aos quatro municípios com emergência zoosanitária e a China foi sensível ao apelo e restringiu a suspensão apenas à Santa Catarina", afirmou o secretário.

Assim como a China, o governo brasileiro buscará a flexibilização das restrições junto aos outros mercados para os quais o País exporta, segundo Billi. "Faremos o pedido ao México, que suspendeu as importações de todo o País, e com cada destino. Grande parte dos mercados já limitou o embargo ao raio do foco, mas iremos negociar para reduzir a restrição durante esses 90 dias até nos declararmos novamente livre de Newcastle", explicou o secretário.

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Segundo ele, todos os países parceiros já foram comunicados pelo Brasil da ocorrência da doença. "Notificamos a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e comunicamos os países parceiros, mostrando que seguimos como fornecedor confiável de alimentos saudáveis e competitivos", apontou Billi.

De acordo com levantamento do Ministério da Agricultura, até o momento, as importações provenientes de todo o Brasil estão suspensas apenas para o México, o que abrange aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves canoras, ornamentais ou de rapina destinadas à comercialização e aves de companhia. Além da China, para o Chile também estão suspensas exportações de produtos provenientes de Santa Catarina.

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