CES 2026: Intel anuncia linha de chips mais poderosa já feita nos EUA e peita rivais como Nvidia

Diferencial da nova série de chips da empresa está na capacidade de processamento de dados maior, bateria mais longeva e design ultrafino

8 jan 2026 - 14h13

LAS VEGAS - A Intel lançou nesta semana uma nova linha de chips que deu mais musculatura para os seus negócios. Durante a Consumer Electronic Show (CES), em Las Vegas, a companhia apresentou os processadores Intel Ultra Série 3, anunciados como a linha de semicondutores mais avançada já desenvolvida e fabricada em solo norte-americano.

Com isso, a gigante da indústria de chips busca reforçar sua presença em um mercado em que a competição é acirrada por rivais peso-pesados, como Nvidia, AMD e Qualcomm, entre outras. Trata-se de um marco na estratégia da companhia, fundada há quase 60 anos pelos cientistas Robert Noyce e Gordon Moore, pioneiros no ramo dos semicondutores.

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O diferencial da nova série de chips da Intel está na capacidade de processamento de dados maior, bateria mais longeva e design ultrafino, o que turbina as aplicações envolvendo inteligência artificial (IA) e abre a possibilidade de ser embarcado em mais de 200 tipos de dispositivos diferentes (notebooks, tablets, celulares e afins) de parceiros comerciais. Isso é quatro vezes mais que a geração anterior de chips da empresa.

"Esta nova linha é uma plataforma robusta, habilitada para atender as demandas de aplicação de IA de hoje e dos próximos anos, atendendo diferentes tipos de usuários", afirmou a vice-presidente da Intel na América Latina, Gisselle Ruiz Lanza, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Dada a sua capacidade mais avançada de geração de gráficos, um dos principais usos deve ser em notebooks para gamers, um mercado no qual a Nvidia reina. Também devem atender aparelhos para criadores de conteúdo (fotos e vídeos) e pessoas comuns que gostam de dar ênfase em entretenimento, como streaming. Outra aplicação tende a ser em computadores usados para segurança e monitoramento, de uso empresarial.

As vendas já começaram. A brasileira Positivo, por exemplo, aproveitou o embalo da CES para lançar seus notebooks com os novos processadores da Intel, que vão rodar IA por meio do Copilot+. Já na bolsa, os investidores reconheceram o potencial do negócio da Intel, e as ações da companhia subiram mais de 10% nos últimos dois dias na Nasdaq, em Nova York.

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A Intel também espera ganhar participação no mercado de data centers de proximidade (chamados de edge computing, pois ficam perto do local da demanda de processamento de dados). Esse é um grande mercado na América Latina, e especialmente no Brasil, apontou Gisselle.

IA em tudo

A vice-presidente da Intel fez coro a um tema que permeou a CES 2026, que é a visão de um crescimento exponencial da IA nos próximos anos, com a tecnologia se difundindo por um número cada vez maior de dispositivos — como, por exemplos, os vestíveis inteligentes (relógios, óculos, anéis, pulseiras e similares), eletrodomésticos, veículos e equipamentos industriais.

Para tudo isso ficar de pé, será preciso que as fabricantes entreguem chips com capacidade de processamento proporcional ao potencial da IA. O grande desafio, segundo ela, é garantir que esse crescimento seja sustentável, casando o volume bilionário de investimento com a geração de receita à altura.

Outro ponto é a oferta de energia para os data centers — um problema que aflige EUA e Europa, mas que no Brasil é uma vantagem dada a oferta abundante de energia limpa e renovável. "O desenvolvimento de novos produtos e serviços que usam IA só foi possível porque o software e o hardware evoluíram juntos. Mas é importante que o crescimento daqui para frente seja sustentável, pensando nos custos e no consumo de energia", citou.

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Questionada se há uma bolha, entretanto, ela minimizou os temores, apontando que a demanda é grande e justifica os aportes financeiros. "O mercado de tecnologia tem seus ciclos, e é preciso acompanhá-los. E o ciclo atual é de uma demanda crescente", afirmou. O número de notebooks acoplados, por exemplo, deve passar de 25% para 80%. "Se é bolha ou não, o fato é que existe uma demanda crescente se materializando", ressaltou a executiva.

O jornalista viajou para cobrir a CES a convite da Lenovo

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