BRASÍLIA - O ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), restringiu ainda mais o acesso do Banco Central ao parecer da área técnica do TCU que analisa a atuação do órgão sobre o caso Master.
A informação foi divulgada primeiramente pelo Valor Econômico e confirmada pelo Estadão com interlocutores do Banco Central. A assessoria do ministro Jesus foi procurada, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
De acordo com pessoas próximas ao BC, o parecer técnico do TCU foi favorável à atuação da autarquia na liquidação do banco, sem recomendações para mudanças de conduta do órgão responsável pela fiscalização do sistema financeiro.
O BC já teve acesso ao documento, mas não pôde fazer cópias nem receber o texto em forma física. De acordo com esses interlocutores, a área técnica do TCU teria afirmado que, se o BC não tivesse agido, aí, sim, o tribunal teria que tomar providências. Com o aumento do sigilo, o BC perdeu completamente o acesso.
Isso é exatamente o oposto da tese levantada por Jesus, que suspeitou de que o BC pudesse ter agido precipitadamente ao liquidar o Master em novembro do ano passado.
O Banco Central vê as movimentações de Jesus com estranheza, porque entende que o documento pode jogar luz à atuação do órgão. Representantes do Ministério Público junto ao TCU também relataram ao Estadão que o sigilo foge à regra padrão do tribunal.
Nesta terça-feira, 10, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, informou que a área técnica da Corte concluiu a inspeção e que o processo será remetido ao relator na quinta-feira, 12. O caso será discutida em plenário após o despacho do relator.
Os ministros do TCU recebem respaldo da área técnica, em todos os casos, mas têm liberdade e autonomia para julgar cada processo. Por isso, o sigilo imposto por Jesus pode ser uma forma de reduzir as pressões sobre o seu voto.
A atuação do TCU no caso Master gerou polêmica, porque, na visão de muitos especialistas, não cabe a Corte de contas fiscalizar a atuação do BC, que é quem cuida da supervisão do sistema financeiro. A rapidez com que o TCU se envolveu no caso também chamou atenção, assim como as ameaças feitas por Jesus de que poderia decretar alguma medida cautelar que paralisasse o processo e beneficiasse o banqueiro Daniel Vorcaro.