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Casa Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bilhões, avalia pedir recuperação judicial e demite funcionários

Companhia fecha quase 300 lojas, reduz operação e tenta diminuir custos diante da pressão sobre o caixa

16 ago 2026 - 13h38

A Casas Bahia registrou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano e anunciou o fechamento de 298 lojas. Este é o oitavo trimestre seguido de prejuízos e já levou a companhia a reduzir o tamanho da operação, com fechamento de lojas e revisão do quadro de funcionários. A empresa também avalia mudanças no modelo de negócio e até uma nova recuperação extrajudicial ou judicial.

Segundo a empresa, o movimento é impulsionado por um "ambiente macroeconômico desafiador para o varejo brasileiro de bens duráveis, caracterizado por elevado custo de crédito e pressão sobre a capacidade financeira dos consumidores".

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Entre as medidas avaliadas pelas Casas Bahia estão uma nova recuperação extrajudicial ou um pedido de recuperação judicial.
Entre as medidas avaliadas pelas Casas Bahia estão uma nova recuperação extrajudicial ou um pedido de recuperação judicial.
Foto: Márcio Fernandes/ Estadão / Estadão

"Além disso, houve uma redução nos limites de crédito concedidos por seguradoras a fornecedores, o que obrigou a companhia a reduzir seu volume de compras e, consequentemente, operar em uma escala menor", afirmou a empresa na divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre.

Nesse cenário, a empresa admite explicitamente a possibilidade da RJ. "Dentre as medidas avalias pela Companhia e passíveis de potencial implementação estão medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial", disse.

Reestruturação da empresa

A administração ressalta que R$ 9,1 bilhões do prejuízo referem-se a itens não recorrentes e sem efeito imediato no caixa. Esses ajustes ocorreram porque a empresa revisou suas projeções de lucro futuro, o que a obrigou a dar baixa em ativos que não seriam mais recuperáveis, como IR diferido, baixa de ágio e ativos e gastos com a reestruturação.

Ao mesmo tempo, a dívida líquida da empresa ficou em R$ 1,2 bilhão no trimestre encerrado em junho e o patrimônio líquido está negativo em R$ 8,2 bilhões. Além do fechamento das lojas e redução no quadro de colaboradores, a Casas Bahia prevê um redimensionamento dos investimentos, com foco em projetos de tecnologia e logística.

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Reestruturação da Casas Bahia prevê diminuição no quadro de funcionários, lojas ativas e mudança no modelo de negócios.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Na prática, a companhia deve priorizar a comercialização de produtos por canais digitais próprios, reduzir os estoques e vender participações em ativos para aumentar a liquidez. "Tamanho é consequência, não objetivo.

Em um ambiente de maior custo de capital, a escala deve refletir a capacidade de gerar retorno", disse a empresa no documento de divulgação dos resultados.

Abstenção de conclusão

Embora o prejuízo contábil seja massivo, a Casas Bahia apresentou uma geração de fluxo de caixa livre de R$ 798 milhões no trimestre. Ainda assim, a situação da empresa é tão desafiadora que a auditoria Ernst & Young emitiu um relatório com abstenção de conclusão sobre as demonstrações financeiras.

Os auditores destacaram uma "incerteza relevante" sobre a capacidade de continuidade operacional da companhia, citando o patrimônio líquido negativo e o fato de as obrigações de curto prazo (passivo circulante) excederem os ativos disponíveis (ativo circulante).

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"A Companhia depende da implementação bem-sucedida de determinadas medidas operacionais e financeiras para suportar suas necessidades de capital de giro e cumprir suas obrigações nos vencimentos contratados", disse a auditoria, o que reforçaria a necessidade de uma eventual recuperação judicial ou extrajudicial.

Mobilização de funcionários

Na última sexta, 14, o Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (SECOR) manifestou preocupação com o fechamento repentino de unidades da rede Casas Bahia na região metropolitana de São Paulo.

Companhia anunciou o fechamento de 298 lojas no relatório divulgado no segundo trimestre.
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Em comunicado, a entidade afirma que os funcionários foram pegos de surpresa diante da interrupção das operações e já está adotando medidas para garantir que todos os direitos trabalhistas dos empregados sejam integralmente respeitados.

De acordo com a apuração do Valor Econômico, a companhia demitiu 1,9 mil pessoas neste processo de reestruturação.

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