Caminho para País mais competitivo passa pela solidez fiscal e por política econômica previsível

Sem um compromisso sério com a responsabilidade fiscal, o Brasil continuará refém de juros elevados, crescimento limitado e baixa competitividade

31 mar 2025 - 22h11

A competitividade de uma economia está diretamente ligada à sua capacidade de produzir um ambiente de negócios estável, atrair investimentos e gerar ganhos de produtividade. Um país de alta produtividade também é caracterizado por uma educação de qualidade, infraestrutura avançada, energia confiável e acesso à tecnologia de ponta.

Mas o estudo mais recente da Firjan mostra que o Brasil ocupa a 46ª posição num ranking de competitividade composto por 66 nações. O Índice Firjan de Competitividade Global (IFCG) revela que o País tem baixa taxa de investimento (Formação Bruta de Capital Fixo), cerca de 18% do PIB, bem inferior à da China (43%) e da Índia (33%).

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Em economias competitivas, o orçamento prioriza investimentos em infraestrutura, inovação e educação, essenciais para a eficiência do setor produtivo. No Brasil, o alto comprometimento com despesas obrigatórias restringe os recursos, limitando o crescimento de longo prazo.

Ou seja, o equilíbrio das contas públicas é um pré-requisito para o desenvolvimento econômico. A ausência de um ajuste fiscal estruturado perpetua um ciclo de baixo crescimento, inflação elevada e fuga de investimentos, reforçando um quadro de baixa competitividade.

A meta do governo de zerar o déficit fiscal em 2025 é vista com ceticismo pelo mercado
A meta do governo de zerar o déficit fiscal em 2025 é vista com ceticismo pelo mercado
Foto: André Dusek/Estadão / Estadão

A relação entre equilíbrio fiscal, política monetária e competitividade é inegável. Há dez anos, o País ocupava a 40ª posição no ranking global de competitividade, com um ambiente macroeconômico mais estável, inflação dentro da meta e superávit primário. Havia previsibilidade e acesso a crédito mais barato. Mas a deterioração fiscal enfraqueceu as demais variáveis macroeconômicas.

A meta do governo de zerar o déficit fiscal em 2025 é vista com ceticismo pelo mercado, pressionando as expectativas inflacionárias e dificultando a queda dos juros. O Boletim Focus, do Banco Central, projeta uma Selic de 15% para este ano, refletindo a preocupação dos agentes com o cenário fiscal. Juros elevados encarecem o crédito, desestimulam investimentos e dificultam a modernização do setor produtivo, tornando o País menos competitivo globalmente.

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Sem um compromisso sério com a responsabilidade fiscal, o Brasil continuará refém de juros elevados, crescimento limitado e baixa competitividade. O caminho para um país mais produtivo e competitivo passa, inevitavelmente, pela solidez fiscal e por uma política econômica coordenada e previsível.

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