A Caixa vê estabilização na inadimplência do crédito agro, próxima a 20%, impulsionada por medidas do governo como a MP 1.376 e o Novo Desenrola. No segundo trimestre, o banco teve alta de 5,9% no lucro líquido recorrente e avanço de quase 12% na carteira de crédito. A instituição projeta que o crescimento da margem financeira supere as previsões e prevê a recuperação do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) para a casa dos dois dígitos até dezembro.
A Caixa já observa uma estabilização na curva de crescimento da inadimplência da sua carteira de crédito agro, afirmou nesta quinta-feira o vice-presidente de finanças e controladoria do banco estatal, Marcos Brasiliano.
No segundo trimestre, esse portfólio ainda apresentou uma taxa de inadimplência acima de 90 dias de 20,74%, de 18,29% no primeiro trimestre do ano. Um ano antes, esse percentual era 7,02%.
"Nós já olhamos para essa curva como uma estabilidade, com perda de velocidade", afirmou em apresentação sobre o balanço do banco, que foi divulgado na noite da véspera.
O banco tem expectativa de continuidade da melhora, apoiada em parte nas renegociações por meio do programa de reestruturação de dívidas do setor rural lançado pelo governo federal no mês passado.
A MP 1.376 autorizou a criação de linhas especiais de crédito para composição de dívidas rurais de produtores e cooperativas que sofreram perdas por eventos climáticos ou perdas de mercado em duas ou mais safras, entre 2019 e 2025.
De acordo com o vice-presidente de varejo do banco, Adriano Assis Matias, curva inflexionou, estabilizando na casa de 20%. Ele citou que o indicador melhorou em junho e julho e a entrada em vigor da MP deve ajudar essa métrica.
No crédito comercial, Matias também citou o efeito benéfico para a pessoa física do Novo Desenrola. Ele afirmou que o resultado teria sido pior sem o programa de renegociação de dívida. No segundo trimestre, a inadimplência acima de 90 dias da PF ficou em 6,29%, de 6,12% no primeiro trimestre.
"O Desenrola tem sido muito importante para a gestão da adimplência da nossa carteira", afirmou.
O presidente da Caixa, Carlos Vieira, ressaltou na apresentação dos números que o segundo trimestre desse ano, para mercado financeiro em particular, foi extremamente desafiador.
O banco divulgou na noite da véspera alta de 5,9% no lucro líquido recorrente do segundo trimestre sobre o mesmo período do ano passado, com expansão de quase 12% na carteira de crédito.
MARGEM, ROE
A Caixa também trabalha com expectativa de crescimento da margem financeira acima do topo de sua previsão para 2026, de acordo com Brasiliano.
O banco calcula uma expansão de 11,5% a 15,5% para a margem financeira bruta neste ano. No primeiro semestre, essa linha no balanço mostrou aumento de 16%, totalizando R$37,9 bilhões.
"A tendência é permanecer assim", afirmou.
O executivo também afirmou que, olhando para dezembro, o banco espera uma recuperação do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) "voltando à casa dos dois dígitos".
No segundo trimestre, o ROE recorrente da Caixa ficou em 9,16%, redução de 2,70 ponto percentual ano a ano e de 0,15 ponto na base trimestral.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)