Marcio Aguiar, diretor de vendas corporativas da Nvidia na América Latina, compartilhou com o público do Rio Innovation Week uma meta estabelecida pelo CEO Jensen Huang: cada funcionário terá de gerir 100 agentes de inteligência artificial (IA). Esses agentes têm autonomia para fazer tarefas com diversas etapas, em vez de fazer ações pontuais sob demanda do usuário, mas ainda precisam de supervisão humana. A prática de lidar com diversos agentes é chamada de "orquestração".
"Ele quer que cada colaborador trabalhe junto com mais de 100 agentes de IA. Você é induzido e incentivado a usar. Use, abuse e aprenda, desaprenda. Isso não é uma alternativa, é a realidade. Queremos continuar no topo, queremos continuar sendo pioneiros e continuar trazendo inovação tecnológica. Isso não quer dizer que vamos reduzir a força de trabalho. Na verdade, até aumenta", afirmou o executivo durante uma palestra no Rio Innovation Week.
Segundo ele, os agentes evoluem para entender o estilo do usuário (como o Copilot no Outlook), sendo capazes de redigir e-mails e organizar fluxos de trabalho de forma personalizada, como se fosse o próprio funcionário que o fizesse. Esse é o plano da companhia para se manter como uma das mais valiosas do mundo.
"Embora o mercado financeiro nos coloque como a empresa mais valiosa do mundo, estamos atingindo apenas 20% do nosso potencial. Muita gente ainda não nos conhece. Esses 20% que nos conhecem nos levam a ser a companhia mais valiosa do mundo", afirmou.
Segundo Aguiar, um diferencial importante dos agentes de IA mais modernos é a capacidade de fazer o que ele chama de roteamento de modelos, onde o próprio agente seleciona qual modelo de linguagem irá utilizar para executar cada tarefa específica, otimizando custos e resultados. Ou seja, ele aprende a ser mais eficiente em cada atividade.
O executivo disse que a Nvidia tem o Nemotron, uma solução gratuita para rodar modelos de IA localmente em sua própria máquina. Isso permite criar agentes sem depender exclusivamente da nuvem e sem custos de tokens — ainda que precise de bastante poder de processamento computacional.
Substituição de humanos por máquinas ainda está distante
Aguiar disse também que a evolução da tecnologia, apesar de acelerada, está distante de resultar na criação de robôs equipados com IA que irão substituir humanos no mercado de trabalho.
"A depender do trabalho que vocês fazem, (a IA) é uma baita de uma ferramenta. Isso eu quero ressaltar, é uma ferramenta. Ela não está aqui para substituir ninguém", afirmou. "Pode ser que sim daqui a 50 anos. Lá, poderemos ver um robozinho se comportando como eu no trabalho enquanto eu fico em casa ou na praia só monitorando o que ele faz. Mas ainda estamos longe disso."