A C&A vai inaugurar em agosto uma nova flagship (unidade principal de uma marca) na Avenida Paulista, em São Paulo. "É um dos endereços mais simbólicos da cidade", disse nesta quarta-feira, 5, o presidente da companhia, Paulo Correa, durante teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre.
A companhia também prevê inaugurar nesta sexta-feira, 7, uma flagship no BarraShopping, no Rio de Janeiro. As duas unidades seguem o conceito Energia C&A.
A varejista vem acelerando a renovação de seu parque de lojas. Segundo Correa, a companhia concluiu duas reformas no segundo trimestre e tem outras 18 obras em andamento.
A C&A também inaugurou duas lojas em Santa Catarina com o conceito Energia no período e prevê outras três inaugurações no terceiro trimestre.
O CEO também destacou a expansão da ACE, nova marca da companhia voltada à moda esportiva. Após a abertura da primeira unidade no Shopping Ibirapuera, em São Paulo, a marca deve ganhar outras duas lojas até o fim de agosto.
No digital, Correa afirmou ainda que a receita de site e aplicativo cresceu mais de 33% no trimestre, levando esses canais a responder por quase 8% das vendas totais da C&A.
Copa do Mundo impactou crescimento
O crescimento da C&A teria sido maior sem os efeitos da Copa do Mundo sobre o fluxo de clientes, afirmou Correa. Segundo ele, a redução no movimento das lojas não ficou restrita aos dias de jogos do Brasil.
"Eu realmente nunca tinha visto um comportamento desse tipo", afirmou Correa, que disse estar em sua sexta Copa do Mundo na C&A. Segundo ele, em edições anteriores, a queda de fluxo era muito mais concentrada nos jogos da seleção brasileira, enquanto os demais dias permaneciam próximos da normalidade.
Neste ano, porém, a companhia observou impacto sobre o fluxo durante todas as semanas do torneio. Correa citou como possíveis explicações a coincidência dos horários dos jogos com o horário comercial e a maior facilidade de acompanhar as partidas por meios digitais.
O comportamento persistiu em julho, mesmo na semana posterior à eliminação do Brasil. Após o encerramento da Copa, porém, a C&A identificou uma retomada do fluxo de clientes. "Para a gente, ficou muito claro o nível de correlação que teve entre Copa do Mundo e fluxo", afirmou o executivo.
'Fim da taxa das blusinhas cria desequilíbio'
O fim da "taxa das blusinhas" cria um desequilíbrio competitivo em favor de um concorrente estrangeiro, afirmou o presidente da C&A.
"Isso realmente não faz o menor sentido, não conseguimos entender isso como um cenário sustentável olhando para o longo prazo", afirmou o CEO.
Apesar do impacto, o executivo disse que a mudança tributária não deve levar a C&A a alterar de forma estrutural seu posicionamento de preços.
"O nosso jogo é o de melhorar o produto e torná-lo mais versátil, para que, de fato, essa percepção de valor seja cada vez mais forte, e não só a busca especificamente por determinada faixa de preço", disse.
Correa também destacou que, mesmo diante da maior competição, as vendas online da C&A cresceram mais de 33% no segundo trimestre. Para ele, o desempenho mostra que a relação entre a competição das plataformas estrangeiras e o desempenho da varejista não ocorre de forma direta.