O Brasil será o principal responsável pelo aumento da produção de petróleo na América Latina em 2026, com uma produção prevista acima de 4,2 milhões de barris por dia, afirmou relatório da consultoria Rystad Energy, nesta quarta-feira.
Tal crescimento, segundo a consultoria, será "respaldado pela escala, resiliência e competitividade de custos de seus desenvolvimentos no pré-sal".
O crescimento da produção do Brasil este ano está ligado à aceleração e início de novas unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSO), apontou a Rystad.
No ano passado, a Petrobras colocou três novas plataformas em operação, sendo duas no campo de Búzios e uma no campo de Mero, ambos os ativos importantes produtores do pré-sal da Bacia de Santos. A norueguesa Equinor, por sua vez, iniciou a produção em seu campo de Bacalhau, também em Santos.
Em toda a América Latina, a previsão da consultoria é que a produção de petróleo ultrapasse 8,8 milhões de barris por dia este ano, impulsionando a maior parte do crescimento da oferta fora da Opep+.
A Rystad ressaltou que a América Latina não atua mais como uma única região petrolífera, e disse que vários participantes estão ficando para trás enquanto os "três grandes" Brasil, Argentina e Guiana "ditam seu futuro", mesmo que o possível retorno dos barris venezuelanos levante questões sobre a estratégia de investimentos de longo prazo na região.
A análise da Rystad Energy estima que projetos na Argentina, Guiana e Brasil, que devem adicionar mais de 700 mil barris por dia (bpd) de produção de petróleo este ano, continuarão superando a Venezuela pelo menos até 2030.
No curto prazo, 300 mil bpd de oferta venezuelana podem ser acrescentados ao mercado, mas a possibilidade de redirecionar investimentos das potências atuais da América Latina para a infraestrutura venezuelana, que enfrenta dificuldades em um ambiente de negócios incerto, permanece limitada, segundo a Rystad.
"Uma reestruturação da indústria petrolífera venezuelana será cara e demorada, com os três grandes da região - Argentina, Guiana e Brasil - permanecendo amplamente indiferentes ao retorno estimado, em curto prazo, do petróleo venezuelano", disse Radhika Bansal, vice-presidente de Oil & Gas Research, Rystad Energy, no relatório.
A Rystad acrescentou que projetos com longos prazos de execução e altos investimentos iniciais, como os offshore no Brasil, Guiana e Suriname, permanecem viáveis economicamente diante das variações atuais dos preços do petróleo e são sustentados por preços competitivos de equilíbrio, tornando mudanças de curto prazo em direção à Venezuela menos relevantes.
O campo de Vaca Muerta, na Argentina, embora seja um desenvolvimento de shale de ciclo mais curto, comprometeu-se com a construção de novas infraestruturas, de modo que também deverá reagir ao potencial retorno da Venezuela com resiliência, mesmo diante da queda dos preços, disse a consultoria.