A balança comercial brasileira atingiu superávit recorde de US$ 9,318 bilhões em outubro, superando as expectativas do mercado. O resultado foi puxado pelas exportações históricas de US$ 37,807 bilhões (alta de 20%), impulsionadas pelo salto de 122,6% nas vendas de petróleo bruto em meio à alta de preços e volumes, além do crescimento no agro e na indústria de transformação. As importações somaram US$ 28,490 bilhões. No acumulado do ano, o saldo comercial positivo já alcança US$ 71,040 bilhões.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$9,318 bilhões em outubro, sob impulso de exportações em nível recorde, marcadas por vendas expressivas de petróleo, apontou nesta sexta-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O desempenho do mês é fruto de US$37,807 bilhões em exportações -- uma alta de 20% na comparação com outubro do ano passado e maior valor mensal já registrado -- e US$28,490 bilhões em importações, elevação de 14,8%.
O resultado foi um pouco melhor do que o esperado pelo mercado, que previa em pesquisa da Reuters um saldo positivo de US$9,05 bilhões.
Nas exportações, um impulso de 10,8% no preço médio dos produtos se somou a uma alta de 7,3% no volume exportado, elevando os ganhos.
Houve aumento de 53,5% nos embarques da indústria extrativa, sob efeito de uma forte alta nas vendas de óleos brutos de petróleo, que cresceram 122,6% na comparação com o mesmo mês de 2025, produzindo um incremento de quase US$5 bilhões no valor exportado.
O preço do petróleo tem sido fortemente pressionado pela queda da oferta global do produto em meio à guerra no Oriente Médio, mas o país também registra aumento de volumes exportados, a despeito da taxação sobre os embarques imposta pelo governo.
"Pelo segundo mês consecutivo houve aumento significativo em exportação de petróleo bruto. O volume embarcado cresceu 63%, e com preços maiores em relação ao ano passado", disse o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão.
O impulso nas vendas de petróleo ajuda o governo a ampliar a arrecadação, já que segue em vigor o imposto de exportação sobre o produto, tributo instituído com o argumento de que buscaria inibir a saída do produto do país, ampliando a oferta no mercado interno. A taxação foi prorrogada até o fim do ano.
A agropecuária, por sua vez, registrou uma alta de 12,8% nas exportações em outubro, sob impulso das vendas de soja e café não torrado. A indústria de transformação vendeu 7,7% a mais ao exterior, com maiores embarques de combustíveis, farelo de soja, celulose e carnes de aves.
No recorte por regiões, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras cresceu de 7,3% em outubro de 2025 para 11,4% no mês passado -- o valor exportado para o país norte-americano subiu 87% no mês.
Também houve ganhos nos embarques para a União Europeia, com participação passando de 14,5% para 16,0%, mas na China a fatia caiu de 28,8% para 22,7%.
Brandão argumentou que as altas nas vendas para Estados Unidos e União Europeia foram explicadas majoritariamente pelos embarques de petróleo. Ele acrescentou que a comparação interanual no caso dos EUA parte de uma base mais baixa porque outubro de 2025 representou o pior momento das vendas ao país norte-americano em meio ao tarifaço implementado pelo presidente Donald Trump.
No caso da China, Brandão afirmou que o recuo nas vendas foi influenciado pelo esgotamento da cota disponibilizada pelo país para carne bovina.
Do lado das importações, houve alta de 86,8% na chegada ao país de combustíveis, crescimento de 25,9% de bens de consumo, 4,0% em bens de capital e 2,7% em bens intermediários.
No acumulado de janeiro a outubro, o Brasil soma um superávit comercial de US$71,040 bilhões, acima do saldo positivo de US$52,985 bilhões do mesmo período de 2025.