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Fintech QI Tech sofre busca e apreensão por ligação de fundos em esquema de notas falsas

Fintech afirmou que fatos investigados referem-se ao período entre 2016 e 2021, quando esses fundos estavam sob administração de outra corretora; fundos são investigados por integrarem um esquema de fraude fiscal que teve R$ 271 milhões em ativos bloqueados na quarta-feira, 4

5 nov 2026 - 12h13
(atualizado às 18h36)
Resumo
A fintech QI Tech foi alvo de busca e apreensão pelas Operações Enxágue e Catéter, que investigam fraudes fiscais com notas falsas para gerar créditos indevidos a usinas de biodiesel. Os títulos sem lastro eram negociados por fundos administrados pela Singulare, corretora comprada pela startup. As ações bloquearam R$ 271 milhões em ativos. A QI Tech esclareceu que não é o alvo da apuração, que os fatos ocorreram entre 2016 e 2021, antes da aquisição, e que colabora com as autoridades.

A QI Tech, empresa que fornece serviços bancários, sofreu uma busca e apreensão na última quarta-feira, 4, no âmbito das Operações Enxágue e Catéter, promovidas pelo Ministério Público do Paraná e Receita Federal.

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As investigações apuram fraudes fiscais com uso de fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs) — todos eles, administrados pela antiga corretora Singulare, adquirida pela QI Tech em 2023. Procurada, a fintech afirmou que os fatos investigados referem-se ao período entre 2016 e 2021, anterior à aquisição da Singulare pela QI Tech.

"O papel da QI Tech limitou-se ao fornecimento das informações solicitadas. A QI Tech não é alvo da investigação e segue operando normalmente, reiterando seu compromisso com a transparência e a cooperação com as autoridades", diz a empresa (veja o posicionamento completo no final da matéria). A startup se tornou o 26º "unicórnio brasileiro" há dois anos, ou seja, chegou ao valor de mercado de US$ 1 bilhão.

O esquema apurado pela Receita Federal e MP do Paraná envolvia empresas de fachada, registradas em nomes de laranjas, que emitiam notas fiscais falsas para gerar créditos tributários indevidos a usinas de biodiesel.

Pedro Mac Dowell, Marcelo Bentivoglio e Marcelo Buosi fundaram a QI Tech em 2018
Pedro Mac Dowell, Marcelo Bentivoglio e Marcelo Buosi fundaram a QI Tech em 2018
Foto: Mayara Araujo/QI Tech/Divulgação / Estadão

Em linhas gerais, quando uma nota fiscal é emitida, quem a emite precisa pagar um imposto, enquanto o suposto comprador do produto, registrado na nota, pode ganhar créditos fiscais com isso. Em um esquema de notas fiscais falsas, o comprador ganha o crédito, mas a operação de compra do produto nunca existiu. A "noteira", empresa que emite a nota fiscal, é de fachada e nunca paga esse imposto.

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As notas fiscais da Operação Enxágue e Catéter simulavam a compra e venda de subprodutos de origem animal, como sebo e gordura, e geravam créditos indevidos para usinas de biodiesel, que utilizam esses insumos como matéria-prima. Depois, títulos ligados a essas notas fiscais eram vendidos para os fundos de investimento ligados à Singulare, hoje administrados pela QI Tech, além de securitizadoras. O mercado financeiro dava a aparência de legalidade a títulos sem lastro.

No total, as operações bloquearam R$ 271 milhões em ativos ligados ao grupo criminoso. Destes, R$ 63,8 milhões em cotas de 10 Fidcs. Outros R$ 10,9 milhões estavam relacionados a quatro companhias securitizadoras.

Com a palavra, QI Tech

"A QI Tech informa a seus clientes e parceiros que atendeu a uma requisição de documentos de autoridades públicas do Estado do Paraná, no âmbito de investigação sobre operações realizadas por terceiros em fundos administrados pela Singulare.

Os fatos sob apuração referem-se ao período entre 2016 e 2021, anterior à aquisição da Singulare pela QI Tech, concluída em novembro de 2024. Os fundos mencionados têm suas decisões de investimento tomadas por gestores independentes, não integrantes do grupo QI Tech.

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O papel da QI Tech limitou-se ao fornecimento das informações solicitadas. A QI Tech não é alvo da investigação e segue operando normalmente, reiterando seu compromisso com a transparência e a cooperação com as autoridades."

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