BCs adotam tom "hawkish" ao se reunirem à sombra da guerra

19 mar 2026 - 08h11

Os bancos centrais dos Estados ‌Unidos, Canadá e Japão adotaram um tom "hawkish" na quarta-feira, embora em graus variados, uma vez que a guerra contra o Irã levou os preços da energia a subirem acentuadamente em meio a uma semana crucial de reuniões das autoridades monetárias globais.

Tendo lutado contra um pico de inflação liderado pelas commodities após a invasão da Rússia na Ucrânia em 2022, as autoridades estão mais uma vez andando na corda bamba - controlando as pressões sobre os preços sem tirara o ⁠crescimento dos trilhos.

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O Federal Reserve, o Banco do Canadá e o Banco do Japão optaram por manter as taxas de juros, ‌mas seus líderes deixaram claro que estão em alerta, desconfiados de que o aumento dos preços da energia possa desencadear uma nova onda de inflação.

"O Conselho Diretor analisará o impacto imediato da guerra sobre a inflação, mas se ‌os preços da energia permanecerem altos, não permitiremos que seus efeitos se ‌ampliem e se tornem uma inflação persistente", disse o presidente do banco central canadense, Tiff Macklem, no discurso ⁠de abertura de uma coletiva de imprensa depois da decisão de manter a taxa básica de juros em 2,25%.

O chair do Fed, Jerome Powell, foi igualmente cauteloso.

"No curto prazo, os preços mais altos da energia aumentarão a inflação geral, mas é muito cedo para saber o escopo e a duração dos possíveis efeitos sobre a economia", disse Powell em uma coletiva de imprensa após a decisão do Fed, por 11 a 1, de manter sua taxa básica de juros ‌na faixa de 3,50% a 3,75%.

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Ainda assim, a relutância de Powell em dizer que os riscos de enfraquecimento do mercado ‌de trabalho representam um risco maior para ⁠os objetivos do Fed do ⁠que a inflação ajudou a empurrar as expectativas de corte de juros do mercado para 2027.

O Banco Central brasileiro foi uma exceção ⁠na quarta-feira, ao dar início a um ciclo de afrouxamento há ‌muito esperado com um corte cauteloso de ‌25 pontos-base na Selic, para 14,75%, que ainda está entre as mais altas das principais economias.

As decisões foram tomadas depois que o banco central da Austrália elevou os juros para o nível mais alto em dez meses e alertou sobre um risco "relevante" para a inflação decorrente do aumento do preço do petróleo.

As ações caíam ⁠e os preços do petróleo subiam acentuadamente nesta quinta-feira, depois que uma grande escalada na guerra dos EUA e de Israel com o Irã abalou os investidores, enquanto o Banco do Japão tornou-se o mais recente banco central a alertar sobre o impacto dos custos de energia sobre a inflação.

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O presidente do banco central japonês, Kazuo Ueda, disse que a autoridade monetária não descartará um aumento dos juros no ‌curto prazo se o impacto esperado no crescimento devido ao aumento dos custos do petróleo for temporário e não prejudicar o progresso que o Japão está fazendo para atingir de forma duradoura a meta de preços do banco.

"Precisamos ⁠estar atentos ao fato de que os acontecimentos recentes ocorrem em um momento em que as empresas já estão aumentando ativamente os preços e os salários, o que sugere que elas poderiam repassar os custos de forma mais agressiva do que após a guerra na Ucrânia", disse Ueda em uma coletiva de imprensa.

Mas analistas esperam que o caminho dos juros para os bancos centrais permaneça acidentado, sem um fim claro à vista para o conflito que pode prejudicar as cadeias globais de suprimentos, além de afetar os mercados financeiros e o sentimento das empresas.

"Essa última escalada parece ser um ponto de inflexão para os mercados, porque o conflito não se trata mais apenas de manchetes militares ou do fechamento do Estreito de Ormuz", disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos do Saxo em Cingapura.

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"Agora, ele está atingindo a infraestrutura essencial do sistema global de energia. O que está perturbando os mercados agora é o crescente risco de estagflação... Isso significa que não se trata mais apenas de uma história geopolítica, mas de uma história macro."

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