BCE vende alguns ativos em dólares e reduz peso do dólar nas reservas

26 fev 2026 - 10h14

O Banco Central Europeu (BCE) vendeu alguns de seus ativos ‌em dólares no início do ano passado e reduziu o peso do dólar em suas reservas cambiais, no que considerou um reequilíbrio normal de sua carteira.

O banco minimizou a importância da medida, que ocorreu antes da turbulência no mercado gerada pelo anúncio de tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em abril ⁠passado.

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O BCE gerou um ganho de 909 milhões de euros (US$1,07 bilhão) com essa transação ‌no primeiro trimestre e investiu todos os rendimentos em ativos em ienes japoneses, informou em suas contas financeiras na quinta-feira.

A imprevisibilidade da política econômica dos EUA ‌e a forte queda no valor do dólar ‌no ano passado geraram especulações de que alguns grandes detentores de ativos ⁠norte-americanos estavam reduzindo sua exposição.

"Durante o primeiro trimestre de 2025, o BCE vendeu uma pequena parte de suas reservas em dólares norte-americanos e reinvestiu integralmente os rendimentos em ienes japoneses", afirmou o BCE.

"Isso foi parte de um reequilíbrio padrão da composição de suas reservas internacionais para se alinhar com a alocação alvo", disse o BCE.

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O ‌valor da transação não foi divulgado. No entanto, dados do BCE mostram que as ‌reservas em dólares caíram ⁠de US$51,9 bilhões para ⁠US$50,9 bilhões no ano passado, enquanto as reservas em ienes aumentaram de 1,5 trilhão para ⁠2,1 trilhões de ienes.

Calculado em euros, o ‌peso do dólar nos ativos ‌em moeda estrangeira do BCE caiu de 83% no ano anterior para 78%. No entanto, parte disso provavelmente se deve à desvalorização do dólar.

Os dados mostraram que a participação do dinheiro em espécie nas reservas também aumentou.

A maioria ⁠das reservas internacionais na zona do euro é mantida pelos bancos centrais nacionais e não pelo BCE.

No ano inteiro, o BCE gerou outra perda financeira, mas previu um retorno ao lucro neste ano ou no próximo.

O BCE vem tendo perdas há anos devido ao impacto financeiro ‌prolongado de seus esquemas de estímulo, encerrados há muito tempo. Esses esquemas estiveram em operação por quase uma década antes e durante a pandemia da Covid-19, ⁠mas muitos dos títulos comprados na época permanecem nos balanços do BCE.

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Como as taxas de juros subiram acentuadamente desde então, o banco agora é forçado a fazer grandes pagamentos de juros sobre o dinheiro impresso na época, já que o excesso de liquidez no sistema financeiro ainda é de cerca de 2,4 trilhões de euros.

O BCE perdeu 1,3 bilhão de euros em 2025, abaixo dos 7,9 bilhões de euros do ano anterior, e está transportando para o futuro cerca de 10,5 bilhões de euros em perdas, com provisões reduzidas a zero.

Isso sugere que, mesmo que o banco volte a ter lucro este ano, compensar essas perdas e reconstruir as provisões levará anos, e pode levar até a próxima década para que ele possa pagar dividendos novamente.

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