O Banco Central Europeu elevou suas projeções de crescimento e inflação devido ao impacto persistente da crise energética ligada ao Oriente Médio, prevendo inflação de 2,5% no próximo ano. Esse cenário eleva o risco de novo aperto nos juros, após duas altas recentes. Apesar das pressões nos preços, a economia tem se mostrado resiliente no consumo e na produção, e a fraqueza no mercado de trabalho reduz as chances de uma espiral de salários, limitando o avanço descontrolado do custo de vida.
O Banco Central Europeu elevou nesta quinta-feira algumas de suas projeções de crescimento e também aumentou as perspectivas de inflação, sugerindo que espera que o choque de energia causado pela guerra no Oriente Médio se dissipe apenas lentamente.
A inflação ultrapassou os 3% neste verão e provavelmente permanecerá elevada por algum tempo, aumentando o risco de que o alto custo da energia acabe elevando o preço de outros bens e serviços, forçando o BCE a apertar a política monetária ainda mais após dois aumentos nas taxas de juros neste ano.
A inflação deve ficar, em média, em 2,5% no próximo ano, acima dos 2,3% previstos em junho, enquanto o núcleo da inflação deve ficar em 2,6% em 2027, acima dos 2,5% previstos anteriormente.
No entanto, um mercado de trabalho relativamente fraco limita o risco de que os trabalhadores exijam compensação pelos preços mais altos, desencadeando uma espiral de salários e preços difícil de conter.
A economia, no entanto, parece mais resiliente ao choque dos preços da energia do que muitos haviam previsto. O consumo, o investimento e a produção industrial estão se mantendo bem, indicando que as empresas e as famílias estão se adaptando rapidamente a um ambiente em rápida mudança.
Veja abaixo as projeções de referência do BCE para a inflação e o crescimento do PIB. As projeções anteriores, de junho, estão entre parênteses.
2026 2027 2008
Crescimento do PIB: 0,9% (0,8%) 1,4% (1,2%) 1,5% (1,5%)
Inflação: 3,0% (3,0%) 2,5% (2,3%) 2,1% (2,0%)
Inflação subjacente: 2,5% (2,5%) 2,6% (2,5%) 2,3% (2,2%)