BC vai analisar opções do BRB, mas não descarta mesmo destino do Master; leia bastidores

Banco de Brasília não vai apresentar balanço nesta terça-feira, 31, e rombo provocado pela instituição de Daniel Vorcaro continuará desconhecido

31 mar 2026 - 10h44
(atualizado às 15h27)

BRASÍLIA - O Banco Central não pretende tomar decisões extremas com o Banco de Brasília (BRB) antes de esgotar todas as alternativas para tentar reequilibrar a instituição. Seguirá, portanto, a cartilha da supervisão financeira, o mesmo rito que já seguiu com o Master, o que também significa que o risco de liquidação ou de intervenção existe de fato.

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Isso quer dizer que a necessidade de aporte pelo governo do Distrito Federal (GDF) no BRB é urgente, já que as crises de confiança bancária não costumam esperar o tempo da política e da Justiça. O BRB, como se sabe, está com um buraco em seu balanço por ter comprado bilhões em carteiras de crédito podre do Master.

O que é certo é que o BRB não vai entregar o seu balanço pelo segundo trimestre consecutivo nesta terça-feira, 31, e as conversas com a cúpula do Banco Central só vão acontecer a partir desta quarta, depois de esgotado o prazo.

Objetivo do BRB é só divulgar dados com aporte do Governo do DF aprovado
Objetivo do BRB é só divulgar dados com aporte do Governo do DF aprovado
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil / Estadão

Tecnicamente, bancos com patrimônio negativo não podem continuar existindo, porque colocam em risco a segurança do sistema financeiro e dos clientes que depositaram na instituição as suas economias e os seus investimentos. Confiança é palavra-chave no negócio bancário, porque os bancos operam "alavancados", fazem operações num montante muito maior do que têm de patrimônio, dependendo dos depósitos de terceiros e acreditando que eles não serão sacados ao mesmo tempo.

Por isso, há regras rígidas a serem cumpridas por todas as instituições bancárias do País, e elas não serão flexibilizadas só porque o BRB é um banco público e conta com a simpatia de políticos em Brasília. O espaço para negociações é reduzido nesses casos.

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Na Faria Lima, a percepção é que o BC está "empoderado" depois da liquidação do Master e de ter suportado a pressão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU). O relatório técnico do TCU, que validou as ações do BC, aumentou essa percepção entre os bancos. Ninguém, nem o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), vai emprestar dinheiro ao BRB por caridade ou por pressões políticas.

Do governo federal, também não há sinalização para que o Banco Central alivie para o BRB. Pelo contrário, a percepção da cúpula petista é que a crise do BRB está associada ao agora ex-governador Ibaneis Rocha — que deixou o cargo para concorrer ao Senado —, um político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O mesmo vale para a governadora Celina Leão, que assumiu nesta semana. Do ponto de vista do governo Lula, caberá ao GDF encontrar uma solução e ao BC decidir de acordo com as suas regras.

Na visão da nova diretoria do BRB, por sua vez, há um esforço para tentar resolver o problema, e já existe um plano de aporte na instituição em andamento. Ele não andou na velocidade que se esperava por conta de entraves jurídicos em vários ativos do GDF que seriam negociados e por conta de decisões liminares na Justiça. O banco, dessa forma, tentará ganhar tempo com o Banco Central antes de sofrer penalidades mais severas.

A diretoria argumenta que já houve outros atrasos de balanços, e que todas as obrigações do banco têm sido cumpridas até o momento. Apresentar os números nesta terça, com o patrimônio negativo, teria um efeito brutal sobre a confiança. Por isso, o objetivo é só divulgar os dados com o aporte do GDF aprovado. A Assembleia Geral Extraordinária, que foi cancelada após as liminares na Justiça, também será remarcada, com um novo prazo.

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Em resumo: o BRB tenta ganhar tempo, o Banco Central alega que já analisa o banco desde a proposta de compra do Master, que completou um ano. O GDF não demonstra capacidade para socorrer a instituição, e o governo federal quer distância da crise.

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