Agrishow: Com petróleo instável, aposta é em máquinas movidas a biocombustíveis

Em coletiva de lançamento da edição 2026, nesta quarta-feira, 1º, os organizadores destacaram investimentos em novas tecnologias e mudanças no parque de exposições

1 abr 2026 - 18h50

A Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, deve apostar em máquinas agrícolas movidas a biocombustíveis como estratégia para reduzir a dependência de derivados de petróleo, que enfrenta instabilidades no mercado internacional.

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A informação foi dada pelos organizadores durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 1º, em Ribeirão Preto (SP), cidade-sede do evento, que chega à 31ª edição, a ser realizada de 27 de abril a 1º de maio.

O avanço de equipamentos que utilizam etanol, biodiesel e outras fontes renováveis aparece como resposta direta às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que têm pressionado os combustíveis fósseis. Com isso, a indústria agrícola passou a acelerar o desenvolvimento de soluções para garantir maior previsibilidade e autonomia energética no campo.

O Agrishow chega a sua 31ª edição, a ser realizada de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP)
O Agrishow chega a sua 31ª edição, a ser realizada de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP)
Foto: Agrishow/Divulgação / Estadão

Como o Brasil tem uma cadeia produtiva de etanol e biodiesel considerada sólida, a tendência é de que os biocombustíveis ganhem ainda mais espaço por meio de novos protótipos e modelos de tratores, colheitadeiras, entre outros veículos que ofereçam redução nos custos operacionais e nas emissões de gases vilões do aquecimento global.

O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. Para o presidente da Agrishow, João Marchesan, o biodiesel tem se mostrado uma alternativa bastante viável para substituí-lo, o que incentiva investimentos em motores adaptados.

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Infraestrutura

Além das soluções energéticas, a Agrishow 2026, que terá como tema "A força de nossas raízes", promete se manter como vitrine das principais inovações tecnológicas para o agronegócio. Entre elas, sistemas digitais de análise de dados e de gestão agrícola, inteligência artificial e agricultura de precisão.

Pedro Lucchesi, diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), considera que a Agrishow é uma oportunidade para aproximar os produtores, principalmente pequenos e médios — que, geralmente, têm menos acesso —, de tecnologias que permitem produzir mais e com menos custos. Ele informa que, em parceria com a Sebrae, a Faesp vai possibilitar a ida de 8 mil agricultores à feira.

A edição de 2026 também trará mudanças na infraestrutura e na logística de acesso ao evento, visando melhorar a experiência dos visitantes e reduzir problemas de mobilidade que costumam ocorrer nos dias de maior público.

A área de exposições ganhará 12 mil metros quadrados, que se somam aos mais de 520 já disponíveis. O número de empresas participantes deve se manter em cerca de 800, sendo mais de 100 novas. O público estimado é de 197 mil pessoas nos cinco dias de feira.

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Também estão previstas reorganização e ampliação das áreas de estacionamento; melhorias na sinalização viária e no fluxo de trânsito nas proximidades do parque; ações de mobilidade em parceria com autoridades de trânsito, incluindo ajustes no tráfego da rodovia de acesso ao evento; ampliação dos pontos de entrada e bilheterias, com venda antecipada de ingressos para reduzir filas; estrutura reforçada de serviços, como atendimento médico, ambulatórios e ambulâncias de suporte básico e avançado; alterações no fluxo interno de veículos de carga e montagem, com áreas específicas para caminhões e regras de circulação no recinto; bem como melhorias nos banheiros e asfaltamento das principais ruas.

Negócios

Diferentemente de anos anteriores, os organizadores preferiram não divulgar uma expectativa de negócios — que, em 2025, apesar do aumento de 7% em relação a 2024, não foi atingida: o faturamento ficou em R$ 14,6 bilhões, quando eram projetados R$ 15 bilhões.

Entre as preocupações, estão a alta taxa Selic, de 14,75% ao ano, a dificuldade de crédito, entre outros desafios, como a pressão no frete - intensificada pela própria pressão nos custos do diesel e pela safra recorde de grãos, que deve passar de 353 milhões de toneladas, conforme a mais recente previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Apesar disso, eles procuram manter o otimismo. Para Marchesan, apesar do cenário desfavorável, os números da colheita aliados às boas condições climáticas devem trazer ânimo aos produtores que vão visitar o evento. "Acreditamos que a Agrishow será exitosa em todos os sentidos".

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Já Sérgio Bortolozzo, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), acredita que o agro já atravessou momentos piores. "Não podemos esquecer que o mundo precisa de nós. A Agrishow continuará a dar certo como atividade e referência, assim como o agricultor também vai".

Serviço

O quê: Agrishow 2026

Quando: 27 de abril a 1º de maio, das 8h às 18h

Onde: Rodovia Antônio Duarte Nogueira, km 321 - Ribeirão Preto (SP)

Ingressos já disponíveis pelo site www.agrishow.com.br

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