O vice-presidente do Banco do Japão alertou que o boom da inteligência artificial estimulou a demanda e amenizou as condições financeiras, mas traz risco de retração do mercado caso os lucros esperados não se confirmem. A tecnologia pressiona os juros de longo prazo e pode elevar a inflação acima da meta de 2%, exigindo aperto monetário. Esse cenário soma-se às pressões inflacionárias causadas pela desvalorização do iene e por choques energéticos decorrentes de conflitos no Oriente Médio.
O vice-presidente do Banco do Japão, Shinichi Uchida, afirmou que o boom global da IA pode ter amenizado as condições financeiras ao estimular a demanda e impulsionar os preços dos ativos, mas alertou para o risco de uma retração do mercado caso os lucros esperados não se concretizem.
"É um grande choque positivo na demanda, que exerceu pressão de alta sobre a economia e os preços", afirmou Uchida sobre a adoção mundial da IA no texto de um discurso publicado no site do banco central nesta segunda-feira.
A tecnologia também pode aumentar a produtividade e ampliar o acúmulo de capital, o que, por sua vez, pode afetar a taxa de juros natural de um país, disse ele.
"A princípio, parece que o lado da demanda veio primeiro e tornou as condições financeiras mais acomodatícias no geral", disse Uchida.
"Mas há um risco de correção se os lucros não acompanharem."
Embora a IA tenha impulsionado os preços das ações e aliviado as condições financeiras, a enorme emissão de títulos por empresas relacionadas à IA exerceu pressão de alta sobre as taxas de juros de longo prazo, disse Uchida.
O Banco do Japão continuará a examinar cuidadosamente os dados econômicos e financeiros para obter um "quadro consistente" sobre o impacto da IA, disse ele, acrescentando que o efeito geral sobre a taxa de juros natural do Japão ainda é difícil de avaliar.
O Banco do Japão identificou a forte demanda relacionada à IA como um dos fatores que podem elevar a inflação subjacente acima de sua meta de 2%, exigindo um maior aperto monetário.
O banco central elevou a taxa de juros em junho e setembro, à medida que o choque de energia causado pela guerra no Irã se somou às pressões sobre os preços decorrentes da desvalorização do iene, o que aumenta os custos de importação.
O Japão importa quase todo o seu petróleo bruto, cuja maior parte provinha do Oriente Médio antes do fechamento do Estreito de Ormuz.