A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, prometeu controlar a emissão de títulos e assegurar a sustentabilidade fiscal diante da alta nos rendimentos da dívida pública, a maior do mundo desenvolvido. A medida visa acalmar investidores preocupados com os custos de financiamento de novos gastos e com a alta dos juros pelo Banco do Japão. Takaichi garantiu que manterá o equilíbrio orçamentário e agirá com rapidez contra eventuais turbulências para sustentar o crescimento econômico do país.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, prometeu nesta segunda-feira "controlar" a emissão de títulos e agir rapidamente contra as turbulências do mercado, buscando tranquilizar os investidores preocupados com o agravamento das finanças públicas do Japão, que tem levado os rendimentos dos títulos a subir.
Ela afirmou que o governo buscará a sustentabilidade fiscal, mesmo ao aumentar os gastos para impulsionar o potencial de crescimento, inclusive por meio da revisão dos incentivos fiscais e subsídios existentes.
"A sustentabilidade fiscal é, obviamente, um pré-requisito para a busca de nossa política fiscal 'responsável e proativa'", disse Takaichi em um discurso no Parlamento.
As declarações refletem a crescente preocupação em Tóquio com o aumento dos rendimentos dos títulos do governo japonês (JGB), o que elevaria o custo de financiamento dos ambiciosos planos de gastos da primeira-ministra.
O rendimento dos JGBs de 30 anos atingiu um recorde de 4,235% nesta segunda-feira, devido ao nervosismo em relação ao risco de aumento da emissão de dívida e às preocupações com a inflação alimentada pela guerra no Oriente Médio.
A dívida pública do Japão, que equivale a cerca do dobro do tamanho de sua economia, é a maior do mundo desenvolvido. Os custos de financiamento estão subindo à medida que o Banco do Japão eleva a taxa de juros e reduz gradualmente as compras de títulos, em um esforço para retirar a economia de décadas de estímulos.
Takaichi afirmou que o governo buscará atrair investimentos privados em áreas de crescimento por meio de "gastos fiscais fortes e de longo prazo, aplicados de maneira bem planejada e previsível".
Ao mesmo tempo, o governo manterá um controle sobre a emissão anual de títulos, ajustando os empréstimos às receitas tributárias, às taxas de juros, aos custos de financiamento da dívida e à evolução da economia e dos mercados, disse a primeira-ministra em seu discurso durante uma sessão extraordinária do Parlamento realizada nesta segunda-feira.
"Se a economia e os mercados apresentarem movimentos inesperados, analisaremos seu impacto e responderemos com agilidade, conforme necessário", acrescentou ela, sem dar mais detalhes.