Bandeira tarifária em outubro será verde, sem adicional na conta de luz, após 5 meses de amarela

O anúncio foi feito pelo ministro de Minas e Energia; por cinco meses, consumidor teve custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos

25 set 2026 - 17h41
Resumo
Após cinco meses de bandeira amarela, a Aneel confirmou a bandeira verde para outubro, eliminando a cobrança extra na conta de luz. A melhora decorre do aumento das chuvas em setembro no Sul e Sudeste, que elevou os reservatórios hidrelétricos e reduziu o uso de termelétricas mais caras. Apesar do alívio financeiro, o setor elétrico segue em alerta e adota medidas preventivas devido aos potenciais impactos climáticos do fenômeno El Niño sobre o regime de chuvas e o consumo de energia no país.

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou, nesta sexta-feira, 25, a bandeira tarifária verde para o mês de outubro, sem nenhuma cobrança adicional pelo consumo a partir da próxima quinta-feira, 1º. O alívio ocorre após cinco meses de vigência da bandeira amarela, com custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. O anúncio veio conforme as previsões do setor.

Publicidade

"As chuvas registradas neste mês, aliada ao bom planejamento junto a todas as entidades que compõem o setor elétrico, principalmente frente ao El Niño, foram imprescindíveis para isso", declarou o ministro via redes sociais. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou a bandeira verde para outubro, logo após o anúncio de Silveira.

Consumidores deixam de ter o custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos
Consumidores deixam de ter o custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil / Estadão

A reguladora explicou que o início da transição entre os períodos seco e úmido levou ao aumento do volume de chuvas nas regiões Sul e Sudeste, o que contribuiu para estabilizar o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. "Será possível reduzir o despacho das fontes mais onerosas para a geração, como as usinas termelétricas, o que evita a cobrança de custos adicionais na conta de energia do consumidor", disse a agência.

Na semana passada, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) já apontava a perspectiva de bandeira verde a partir de outubro, nos cinco cenários traçados pela empresa. Isso representa uma mudança em relação ao mesmo período de 2025, quando o atraso no início do período úmido contribuiu para a adoção da bandeira vermelha patamar 1.

"A mudança de cenário está relacionada, principalmente, ao maior volume de chuvas registrado em setembro", explica Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, gestora e comercializadora de energia. Para os próximos meses, os preços de energia estão projetados entre R$ 120 e R$ 140 por megawatt-hora (MWh).

Publicidade

Além do risco hidrológico (GSF), gatilho para o acionamento das bandeiras mais caras, outro fator de peso é o aumento do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), valor calculado para a energia a ser produzida em determinado período.

El Niño mantém cenário de atenção para o período

Apesar da perspectiva mais favorável, a atuação do El Niño mantém um cenário de atenção para o período. O fenômeno pode alterar o regime de chuvas e as temperaturas. O cenário climático adverso prevê menor disponibilidade de energia produzida na região Norte do País e aumenta a carga do sistema elétrico devido à elevação das temperaturas e ao consequente crescimento do consumo de energia.

O ministro Alexandre Silveira liberou, em julho, a antecipação do início do suprimento de cinco contratos vencedores do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Energia (LRCE 2022) e do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026). A justificativa foi garantir potencial adicional ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro.

O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, detalhou previamente que foram adotadas diversas medidas de prevenção. Com o chamado super El Niño, as distribuidoras de energia elétrica estão reforçando os planos de contingência para lidar com eventuais eventos extremos do ponto de vista climático.

Publicidade

Pela previsão do setor, será o maior El Niño da história, com 95% de probabilidade de impacto forte entre outubro e dezembro. A Aneel comunicou que os geradores de energia dos sistemas isolados do Norte (não conectados ao sistema elétrico) passaram a receber antecipadamente os recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para que ocorra o estoque de combustível na região. O motivo é a possibilidade de dificuldade de navegação com a previsão de um super El Niño.

Há aproximadamente um ano, a Agência lançou o chamado Radar, sistema considerado pioneiro para o acompanhamento, em tempo real, das interrupções no fornecimento de energia elétrica em todo o País. Há dados informativos de 5.542 municípios, incluindo um histórico de ocorrências.

TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se