Banco da Inglaterra decide manter juros por unanimidade diante dos riscos da guerra

19 mar 2026 - 09h17

O Banco ‌da Inglaterra decidiu por unanimidade deixar a taxa de juros inalterada nesta quinta-feira diante dos riscos de inflação decorrentes da guerra no Oriente Médio, e alguns membros levantaram a possibilidade de um aumento.

O Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra votou por ⁠9 a 0 para manter a taxa básica de juros em ‌3,75%, informou o banco central.

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Economistas consultados pela Reuters previam, em sua maioria, uma votação de 7 a 2 a favor da ‌manutenção.

O comitê afirmou que a inflação pode ‌subir para até 3,5% nos próximos dois trimestres, de ⁠acordo com as previsões da equipe do Banco da Inglaterra, e que está atento ao risco de expectativas de inflação mais altas se consolidarem na economia.

Ele também mencionou os riscos de uma desaceleração econômica, que pode enfraquecer as pressões inflacionárias, mas afirmou que o ‌maior risco é de uma inflação mais alta.

O presidente do Banco ‌da Inglaterra, Andrew Bailey, ⁠disse que os ⁠preços da gasolina já estão mais altos e que as contas de energia ⁠das famílias aumentarão este ano ‌se o conflito persistir.

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"Mantivemos ‌a taxa de juros em 3,75% enquanto avaliamos o desenrolar dos acontecimentos", disse ele em um comunicado. "Aconteça o que acontecer, nosso trabalho é garantir que a inflação retorne à sua ⁠meta de 2%."

Outros membros do comitê foram mais explícitos sobre a necessidade de aumento da taxa de juros, uma possibilidade que foi precificada pelos investidores após o início da guerra.

Catherine Mann disse acreditar que o banco central ‌deveria considerar uma pausa mais longa na taxa de juros "ou até mesmo um aumento em algum momento" para impedir que a inflação ⁠fique muito alta.

O economista-chefe do banco, Huw Pill, que votou contra os cortes de juros mais recentes, disse estar "pronto para agir" caso o choque nos preços da energia aumente o risco de pressões inflacionárias de longo prazo.

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Mas Alan Taylor, um dos mais veementes defensores da redução dos juros, afirmou que a decisão pela manutenção não deve ser vista como um ponto de virada.

"Dada a enorme incerteza em torno dos preços da energia, vejo atualmente um obstáculo muito grande para um aumento", disse Taylor.

O comitê afirmou que poderá ter mais informações até sua próxima reunião, no final de abril, para avaliar melhor a situação.

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