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As estratégias da gestora brasileira que cresce US$ 10 bilhões por ano

Os grandes investidores internacionais buscam no Brasil segurança jurídica e projetos de longo prazo, diz o sócio e CEO, Alexandre Saigh, responsável pela internacionalização do Patria

13 ago 2026 - 14h56

Desde 2024, o Patria, um dos fundos que melhor representam a Faria Lima e reconhecido como uma das maiores gestoras de ativos do Hemisfério Sul, ampliou de US$ 40 bilhões para US$ 62 bilhões (R$ 317 bilhões) o valor de recursos que administra. Até o fim de 2027, tem o objetivo de atingir US$ 70 bilhões (R$ 358 bilhões).

Durante uma visita a São Paulo, o cofundador e sócio da empresa de investimentos, Alexandre Saigh, falou ao Estadão sobre como manter o crescimento dos negócios, em um momento de grandes incertezas globais, e sobre a sua estratégia de internacionalização, que é especialmente administrada por ele a partir de um escritório em Londres.

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Segundo Saigh, os grandes investidores internacionais, como fundos institucionais árabes e europeus, que estão entre os principais clientes do Patria, buscam no Brasil e em outras nações da América Latina diversificar a aplicação de recursos, apostando em projetos de lingo prazo. Mas, para atrair esse dinheiro, os países precisam garantir terem arcabouços institucionais sólidos, o que têm feito Brasil, México, Colômbia, Chile e Costa Rica, defende ele.

Essa postura contrasta com o que buscam os investidores brasileiros, que, acostumados com uma taxa Selic alta, são atraídos por investimentos que trazem liquidez e alta rentabilidade, para que possam bater a Selic. "A nossa visão para os próximos anos é que os juros devem permanecer elevados por mais tempo", afirma. "Uma baixa mais representativa só no longo prazo mesmo. Existem questões particulares do Brasil, sim, mas, mais do que isso, existem questões globais."

O foco do Patria, que atua com os chamados ativos alternativos, que fogem das ações disponíveis em Bolsas e da renda fixa, mudou nos últimos tempos. Com a Bolsa brasileira parada, que permite a venda de participações em empresas, e com a concorrência dos juros altos no País, o fundo precisou cada vez mais encontrar outros ativos rentáveis, que vão da infraestrutura aos fundos imobiliários, e novas áreas de atuação.

Depois de comprar a gestora Abrdn (leia-se Aberdeen), sediada em Edimburgo (Escócia), ele estruturou um escritório em Londres (capital do Reino Unido) para atender clientes internacionais e investir em fundos na Europa e nos Estados Unidos.

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Já no Brasil, além da forte atuação em projetos rodoviários e de saneamento básico, o Patria agora está entrando no negócio de data centers, criando uma unidade de R$ 12 bilhões de investimentos, para a Byte Dance, a chinesa dona do TikTok.

Isso antecipa uma tendência de processamento de dados para inteligência artificial (IA) no Brasil, aproveitando a matriz energética brasileira renovável e de menor custo. Para ele, vai ser uma forma de o Brasil exportar indiretamente energia renovável, por meio de serviços de dados.

Além da atuação em infraestrutura, o Patria tem se dedicado a investir em imóveis, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (Fidcs), fundos com contas a receber de empresas, e até numa dessalinizadora no Chile. Mesmo numa área menos aquecida, como nas compras de participações de empresas, o private equity, o Patria já se tornou o principal acionista da empresa de serviços para animais de estimação Petlove, com aproximadamente R$ 400 milhões reais investidos desde 2019.

Leia os principais trechos da entrevista com Saigh.

Em que ponto o Patria está em seu processo de internacionalização?

Essa discussão começou cerca de 12 anos atrás, quando ficou evidente que seria necessário nos expandir além do mercado brasileiro. A decisão não foi motivada por uma avaliação negativa do Brasil, mas pela dimensão do mercado. Chegou um momento em que consideramos que o nosso mercado, restrito apenas ao Brasil, estava começando a ficar muito limitado. Até então, o Patria ampliou a sua atuação de forma consistente. Inicialmente, se concentrou em private equity; posteriormente, se expandiu para infraestrutura, mercado imobiliário e crédito, consolidando os quatro principais pilares da gestão de ativos alternativos.

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Como parte do movimento de internacionalização, o Patria abriu capital na Nasdaq
Como parte do movimento de internacionalização, o Patria abriu capital na Nasdaq
Foto: Nasdaq/Divulgação / Estadão

O Patria já tinha atingido na virada para esta década um teto do que o mercado brasileiro poderia trazer de crescimento?

O crescimento nessas frentes iniciais foi significativo, mas também evidenciou a aproximação de um limite natural de expansão no mercado doméstico. Diante desse cenário, a empresa passou a estruturar uma estratégia de internacionalização. Depois da nossa abertura de capital, em 2021, ela passou a ocupar uma posição central na estratégia de crescimento e foi um dos principais objetivos para a captação de recursos no mercado. O primeiro movimento ocorreu na América do Sul, motivado pela proximidade geográfica e pelas afinidades culturais. O Chile foi o destino inicial por reunir características favoráveis, como grau de investimento, participação na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e uma economia menor, porém estável. Na sequência, a expansão avançou para a Colômbia e o Peru. Posteriormente, surgiu a oportunidade de ampliar essa presença para além da América Latina, com a entrada no mercado inglês. Na América Latina, o México representa o último mercado estratégico a ser parte desse processo de expansão regional.

E como pretendem se estabelecer lá?

O México tem uma dinâmica diferente das economias da América do Sul, mais voltadas à exportação de commodities. Ele é muito voltado aos Estados Unidos, com a exportação de produtos semi-industrializados. Então, a dinâmica é diferente. Fizemos uma pequena aquisição este ano, voltada para fundos imobiliários listados, como os FIIs (fundos de investimento imobiliário) que existem aqui. O conceito é muito parecido. São fundos imobiliários listados na Bolsa mexicana. No caso dos que adquirimos no México, o foco é em ativos logísticos. Ainda é uma operação muito pequena. Eu diria que é o primeiro passo. Estamos, por assim dizer, colocando o pé na água para testar a temperatura.

E, em relação às operações na Europa, após passar a ter escritórios em Londres e Edimburgo, com a compra da Abrdn?

A gente comprou essa operação em 2023 e assumiu o controle no começo de 2024. Dois anos depois, estamos muito satisfeitos com a experiência. Agora, estamos tentando expandir esse negócio. Nesse caminho, também fizemos uma pequena aquisição nos Estados Unidos, na mesma atividade, com a compra da WP Global Partners. Aqui na América Latina, temos fundos que fazem investimentos diretos nos ativos. Ou seja, compramos empresas, sejam de infraestrutura, da economia real ou ativos imobiliários. Somos investidores diretos. Já no Reino Unido e na Europa, investimos em outros fundos que fazem esse tipo de investimento. É uma atividade de fundos de fundos. Investimos em fundos que, por sua vez, investem em empresas da economia real. É uma atividade bastante interessante e muito alinhada ao momento da companhia.

Por que essa diferença de atuação?

Quando você investe diretamente no ativo, assume um determinado nível de risco. Ao investir por meio de fundos, esse risco é distribuído de forma diferente, proporcionando outra dinâmica de exposição. Você tem uma atividade que é mais escalável e que, nesse primeiro momento, apresenta um grau de risco menor. Essa atividade, aqui na América Latina, não faz muito sentido. Não existe um universo tão grande de fundos para desenvolver uma estratégia de fundos de fundos.

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E essa busca por fundos acontece em países de toda a Europa Ocidental?

Esses fundos estão espalhados pelo mundo inteiro. Lá, nossa estratégia de fundos de fundos é focada no que eles chamam de middle market, ou seja, o mercado intermediário. Nesse universo, existem cerca de 8 mil gestores. O nosso trabalho é fazer uma curadoria. Selecionamos aproximadamente 70 gestores. Ou seja, escolhemos menos de 1% do universo disponível. É um trabalho de curadoria bastante intenso, de selecionar os gestores e os fundos mais adequados. Esses 8 mil gestores que a gente classifica como middle market administram fundos entre US$ 1 bilhão e US$ 5 bilhões. Os fundos com até 1 US$ bilhão, na nossa classificação, são os menores. Acima de US$ 5 bilhões estão os grandes fundos. É uma indústria enorme. Só o mercado global de gestão de ativos alternativos, a nossa área de atuação, movimenta cerca de US$ 25 trilhões. E não estou falando de renda fixa, fundos tradicionais ou ETFs. Estou falando exclusivamente da indústria de gestão de ativos alternativos.

E como vocês se inserem nesse setor, globalmente, em especial que já existem hoje gestoras com US$ 1 trilhão de ativos?

Hoje, existem, sim. A Blackstone administra mais de US$ 1 trilhão. A Brookfield está por volta disso também. A Apollo também está próxima desse patamar, e a KKR está chegando na mesma faixa. São gestoras gigantescas, muito além da categoria de grandes. Nós, hoje, administramos US$ 62 bilhões. Para nós, é um volume extremamente relevante. Mas, quando você compara US$ 60 bilhões com US$ 1 trilhão, há uma diferença de escala.

Mas, para o mercado latino-americano, e convertendo para reais é muita coisa, não?

Convertendo para reais, estamos falando de um valor superior a R$ 300 bilhões (são R$ 317 bilhões, na cotação do dia 5 de agosto). É um montante muito expressivo. Em 2024, a gente administrava US$ 40 bilhões. Depois que avançamos bastante nesse processo de internacionalização, continuamos crescendo. A meta agora é alcançar US$ 70 bilhões (R$ 358 bilhões) sob gestão até o fim de 2027.

Como está a divisão dos clientes do Patria, e por que preferiu ficar baseado em Londres?

Hoje, 15% dos clientes são do Brasil, 25% são do restante da América Latina, e 60%, de outras geografias globais. Sempre foi um pouco a característica do Patria trabalhar com cliente externo. Eu cuidava dessa área comercial, então, eu sempre estava viajando. Fico, até hoje, uns 200 e poucos dias fora de casa. Os clientes ficam na Ásia, no Oriente Médio, na Europa e nos Estados Unidos. Chegou uma hora em que eu falei: 'Não aguento mais isso aqui'. Aluguei um pequeno apartamento em Londres, que eu fazia como um ponto de parada. Então, começou um pouco a relação por aí. Eu ficava dois dias lá e ia para a Ásia, para ficar menos pesado.

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E em relação aos ativos? Ainda estão bastante concentrados no Brasil e América Latina?

A gente tem 30% de investimentos no Brasil, 30% no resto da América Latina e 40% fora dessa região. Agora, estamos muito globalizados.

Anteriormente, o Patria era globalizado apenas pelo lado do cliente?

O primeiro fundo que a gente captou de private equity teve cerca de 90% dos recursos vindo de fora do Brasil. Apenas 10% eram de investidores brasileiros. O nosso crescimento sempre esteve ligado à tentativa de atender esse cliente internacional, que tinha interesse em investir aqui em ativos alternativos. Ao longo do tempo, fomos ouvindo os investidores. Perguntávamos o que mais gostariam de fazer, além de private equity. Eles diziam que gostariam de investir também em infraestrutura, na área imobiliária e em crédito. Então, fomos desenvolvendo esses outros produtos. De um tempo para cá, especialmente no período pós-covid, o interesse dos investidores mudou bastante. Hoje, há uma demanda muito maior por infraestrutura e crédito, e menor por private equity, em função do ambiente de juros elevados. Em geral, investimentos em renda variável sofrem quando os juros permanecem muito altos. Como nós já havíamos desenvolvido essas áreas antes da pandemia, estávamos bem posicionados para atender essa mudança de demanda.

A expectativa é de que os juros baixem pouco no médio prazo ou o suficiente para tornar a compra de empresas no private equity atraente de novo?

A nossa visão para os próximos anos é de que os juros devem permanecer elevados por mais tempo, o que tende a manter esse interesse por infraestrutura e crédito. Uma baixa mais representativa só no longo prazo mesmo. Existem questões particulares do Brasil, sim, mas, mais do que isso, existem questões globais. Então, não é algo que tenha a ver apenas com o Brasil. Existe uma guerra acontecendo no Oriente Médio. Mesmo que ela terminasse hoje, até que toda a economia absorvesse os impactos gerados - no petróleo, nos derivados de petróleo e, consequentemente, na inflação -, e até que os bancos centrais voltassem a se sentir confortáveis com níveis mais baixos de inflação, seriam necessários entre 18 e 24 meses. Esse processo leva tempo. Estamos em meados de 2026; isso nos levaria, no mínimo, até meados de 2028, se a guerra terminasse hoje, o que, aparentemente, não é o cenário mais provável. Existem fatores externos muito relevantes: a guerra, mais o tarifaço e outras mudanças que vêm ocorrendo no cenário internacional. Estamos vivendo um processo global de transformação do comércio internacional e, consequentemente, um ambiente econômico bastante diferente daquele que existia alguns anos atrás.

Como navegar nesse novo ambiente, com regras mais mutáveis, quando elas existem, e de tantas incertezas? É por meio da diversificação?

Sim. Se você passa por um momento em que a economia precisa reagir a esse choque, principalmente ao impacto do petróleo e ao ambiente de inflação mais elevada, nós temos produtos que conseguem ter um desempenho muito bom, como crédito estruturado e a área imobiliária. Se houver uma reversão desse cenário, a renda variável também tende a se beneficiar. A própria área imobiliária se favorece também, porque, quando a economia cresce, aumenta a demanda por imóveis. É uma forma de proteção.

O que diferencia entre o que procura o grande investidor estrangeiro e o brasileiro?

O brasileiro gosta de liquidez diária e de alta rentabilidade. O CDI é um grande competidor nosso. Ele tem liquidez diária, é garantido pelo governo e tem uma rentabilidade interessante. Então, o brasileiro ficou muito acostumado com isso. Quando a gente teve de desenvolver produtos para atender à demanda do brasileiro, tivemos de ser bem específicos. E os fundos imobiliários acho que foram um caminho.

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E o estrangeiro?

O estrangeiro procura produtos com mais longa duração. Na América Latina, ele busca países que tenham uma certa estabilidade, principalmente do ponto de vista do arcabouço regulatório. Isso é o mais importante. Ele pensa: 'Olha, eu sei que você pode ter um governo X, um governo Y. Para mim, isso é menos relevante. O mais relevante é que o ativo no qual eu vou investir tenha continuidade'. O que eu quero dizer com isso? Quando você investe ou ganha uma concessão de uma rodovia por 30 anos, se eu perguntar quem vai ser o presidente do Brasil daqui a 30 anos, ninguém sabe. Então, você tem de confiar que, ao longo desses 30 anos - que correspondem a aproximadamente sete mandatos presidenciais de quatro anos -, os próximos presidentes do Brasil vão respeitar a concessão que você ganhou. Então, você pergunta: 'Bom, como é que eu posso ter alguma certeza disso?'. Você olha para o passado.

Não é importante a ideologia do governo?

Acho que todos os governos que lideraram o Brasil, sejam eles de esquerda, de direita, de norte, de sul, de leste ou de oeste, conseguiram entender isso. Nenhum deles quebrou o arcabouço regulatório de nenhum setor. Ao contrário, houve aprimoramentos. Agora, com água e esgoto, por exemplo, tivemos o novo marco regulatório, que acabou estimulando investimentos no setor. Também houve avanços em gás, energia elétrica e em outros setores. O Chile também tem essa característica, e a Colômbia é muito interessante nesse sentido. Mesmo acabando de passar por um governo de centro-esquerda, do presidente Gustavo Petro, ele entendeu que, se quebrasse esse arcabouço, o investimento acabaria. Houve alguns limites que ele não ultrapassou. O Congresso lá teve um papel de tentar avançar em algumas questões, assim como o Congresso brasileiro também ajudou bastante os governos a aprovar leis e a construir esse ambiente regulatório.

E quanto ao risco geopolítico?

Nos últimos três a cinco anos, acho que o destaque maior para a América Latina, dentro de tudo que eu falei, é que o risco geopolítico aqui é baixo. Esse risco aumentou muito no mundo inteiro. Essa questão até se sobrepõe à questão do marco regulatório, e era algo que antes não estava tanto no radar do investidor. Ele tomava como algo dado: 'Eu vou investir nos Estados Unidos, vou investir na Europa. Vou olhar o marco regulatório, mas o risco geopolítico é baixo'. Hoje, não é mais tão simples. Acabou acontecendo uma guerra na Europa, houve uma mudança política nos EUA e uma situação também muito complicada no Oriente Médio.

Em relação aos projetos atuais de infraestrutura no Brasil, o que tem sido mais interessante para investir?

Os programas de concessão deste governo, assim como de governos passados também, estão extremamente ativos. Temos visto bastante interesse em saneamento. É um interesse enorme. Nós ganhamos uma concessão em Pernambuco. Estamos lá, começando a estruturar a nossa empresa, chamada Vita Sertão. Uma questão grave é que 90% dos brasileiros tinham acesso à água, mas só 30% tinham acesso a esgoto. Esse projeto vai levar saneamento - água e esgoto - para uma parcela muito maior da população. Do ponto de vista social, isso é superimportante, porque não é apenas uma questão de higiene, mas também de redução de doenças e de problemas de saúde. E isso vai acontecer. Você vê que os indicadores estão melhorando. Também é interessante observar o governo atual trabalhando com o Congresso, aprovando o marco regulatório do saneamento, trazendo o setor privado para investir e dando a segurança de que o marco será respeitado. O governo respeitou o marco regulatório do setor elétrico e de outros setores. Então, se respeitou os outros, vai respeitar esse também. No fim, é uma questão de confiança.

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Também se fala que o Brasil pode se tornar uma grande força em processamento de dados para inteligência artificial, por conta de sua oferta de energia renovável. Como explorar isso?

O setor de telecomunicações vai ser muito interessante, principalmente o de data centers. Acabamos de fechar um contrato gigantesco com a Byte Dance, de R$ 12 bilhões de investimentos. Estamos construindo um data center para eles em Fortaleza, no Pecém, que é uma área de Zona de Processamento de Exportação (ZPE), com uma empresa que se chama Omnia. A primeira fase, que corresponde a 20% do projeto total de 1 GW, terá 200 MW. É importante que o ambiente regulatório funcione e dê segurança para esse tipo de investimento. O Brasil tem hoje uma capacidade competitiva enorme. Existe essa crise de energia no mundo inteiro. Na Europa, por exemplo, o preço da energia subiu muito depois da guerra da Ucrânia e de outros conflitos recentes. O Brasil, por outro lado, consegue gerar energia renovável a um custo relativamente baixo. Mas como você exporta essa energia? Ela está aqui. Você precisa transformar ela em alguma coisa que possa ser exportada. E uma das formas de fazer isso é por meio de data centers. Em vez de exportar a energia diretamente, você exporta dados. Um data center funciona quase como uma miniusina elétrica. E de onde vem essa energia? De fontes renováveis brasileiras. Na prática, você transforma a energia em um produto de maior valor agregado, com um prêmio. Em vez de exportar energia, exporta dados.

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