A arrecadação federal atingiu R$ 235,566 bilhões em agosto, registrando recorde histórico para o mês com alta real de 8,25% ante o ano anterior. O resultado foi impulsionado pelo avanço do IRPJ/CSLL, IRRF e da Receita Previdenciária, esta última favorecida pela expansão da massa salarial. No acumulado do ano até agosto, as receitas somaram o patamar inédito de R$ 2,112 trilhões, avanço de 7,12%, refletindo o crescimento econômico e pagamentos atípicos ocorridos no período.
BRASÍLIA - A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 235,566 bilhões em agosto, informou a Receita Federal nesta terça-feira, 22.
O montante ficou abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de R$ 239 bilhões em agosto (mediana), após R$ 289,346 bilhões em julho. As estimativas variam de R$ 233,300 bilhões a R$ 248,933 bilhões.
O resultado de agosto representa uma alta de 8,25% na comparação com o mesmo mês de 2025, descontada a inflação do período. Foi o maior para o mês desde 2000, início da série histórica.
O IRPJ e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) somaram uma arrecadação de R$ 34,104 bilhões, um crescimento de 13,09% em relação ao mesmo mês de 2025. O IRRF arrecadou R$ 12,723 bilhões, um aumento real de 23,27%, resultado explicado pela tributação de dividendos, a partir de 2026, e pelo aumento nominal de 33,21% na categoria de "Aplicação de Renda Fixa (PF e PJ)".
A Receita Previdenciária arrecadou R$ 63,030 bilhões, crescendo 4,3% em relação a agosto do último ano. Esse desempenho está associado à expansão de 2,89% da massa salarial de julho de 2026 em relação a julho de 2025, além de um aumento real de 6,47% na arrecadação do Simples Nacional.
As receitas com o IOF, por sua vez, aumentaram 0,35% acima da inflação em relação a agosto de 2025 e atingiram R$ 8,837 bilhões.
O imposto de exportação de petróleo arrecadou R$ 1,944 bilhões em agosto. A alíquota de 12% foi criada, segundo o governo, para garantir o abastecimento de petróleo no País durante a guerra no Oriente Médio.
Arrecadação até agosto
A arrecadação de impostos e contribuições federais até agosto de 2026 somou R$ 2,112 trilhões. O montante representa alta de 7,12% na comparação com o mesmo período de 2025, descontada a inflação do período. O resultado acumulado até agosto é o maior para o período desde 2000.
No relatório de divulgação, o Fisco atribui o desempenho da arrecadação em 2026 a alguns destaques, como a Receita Previdenciária, que teve uma arrecadação de R$ 507,179 bilhões, com crescimento real de 5,03%.
Esse resultado se justifica pelo crescimento real de 3,47% da massa salarial e de 5,76% na arrecadação do Simples Nacional previdenciário de janeiro a agosto de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.
"Além disso, houve crescimento de 16,35% no montante das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária em relação a agosto de 2025", escreve no documento.
O IRPJ e a CSLL somaram uma arrecadação de R$ 411,048 bilhões, representando crescimento real de 6,11%. Esse resultado se deve, principalmente, ao crescimento real de 9,26% na arrecadação do lucro presumido e ao aumento real de 19,43% na arrecadação relativa à declaração de ajuste do IRPJ e da CSLL, relativa a fatos geradores ocorridos em 2025.
Houve também pagamentos atípicos da ordem de R$ 20,926 bilhões, no período acumulado, sendo R$ 11 bilhões de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre Lucro Líquido, e outros R$ 9,926 bilhões do Imposto de Exportação de petróleo.
O PIS/Pasep e a Cofins totalizaram uma arrecadação de R$ 412,776 bilhões, representando crescimento real de 4,52%.
O desempenho pode ser explicado pelo aumento de 2,01% no volume de vendas (PMC-IBGE) e de 2,13% no volume de serviços (PMS-IBGE) entre dezembro de 2025 e julho de 2026, em relação ao período compreendido entre dezembro de 2024 e julho de 2025.
Além disso, pela recuperação da arrecadação relativa a setores inseridos no Perse e ao setor petrolífero; pelo desempenho positivo dos segmentos automotivo, de eletricidade e gás, dos serviços financeiros e do Simples Nacional e pela expansão de 12,01% nas compensações tributárias e dos efeitos da legislação, especialmente as desonerações temporárias sobre diesel, biodiesel e querosene de aviação.
O IOF apresentou uma arrecadação de R$ 67,159 bilhões, representando crescimento real de 24,11%. O governo aumentou a alíquota do IOF em junho de 2025, depois de uma série de impasses com o Congresso. A mudança tem turbinado a arrecadação dessa rubrica.
O IRRF-Rendimentos do Capital apresentou uma arrecadação de R$ 118,121 bilhões, representando crescimento real de 18,43%. O resultado do período pode ser justificado, principalmente, pelos aumentos nominais de 31,13% na arrecadação do item "Aplicação de Renda Fixa (PF e PJ)", de 47,04% na arrecadação do item "Juros sobre Capital Próprio" e de 11,35% na arrecadação do item "Fundos de Renda Fixa".
No fim do ano passado, o Congresso aprovou aumentos nas alíquotas de fintechs e bets e de JCP, junto com um projeto que reduz os benefícios fiscais em 10%.
O texto eleva a CSLL incidente sobre fintechs de maneira escalonada. A alíquota subiria de 9% para 12%, nível em que ficaria até o fim de 2027, antes de se acomodar em 15% a partir de 2028. Os bancos pagam 20% de CSLL, mas o imposto efetivo sobre financeiras não bancárias tende a ser maior, em parte por conta da rentabilidade mais alta.