Gastança eleitoral pode complicar a redução dos juros

Novos gastos anunciados pelo governo - e já descritos no mercado e na imprensa como 'bondades eleitorais' - estão estimados em R$ 271 bilhões

22 set 2026 - 13h02
Resumo
O aumento dos gastos federais e o cenário de incertezas externas e internas ameaçam a continuidade da redução dos juros pelo Banco Central. Embora a inflação recente tenha recuado, as projeções futuras seguem acima da meta. Novas medidas governamentais estimadas em R$ 271 bilhões ampliam a demanda além da capacidade produtiva, pressionando os preços e elevando as dúvidas fiscais sobre a dívida pública, o que dificulta o controle inflacionário e a flexibilização da política monetária.

O governo gasta muito, o cenário dos preços continua incerto e novas decisões sobre os juros básicos, baixados na semana passada para 13,75%, vão depender da "evolução do cenário", segundo o Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC). O quadro atual, descrito na ata da última reunião do comitê, é "caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados".

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A insegurança decorre de fatores externos e internos. Externamente, há os conflitos no Oriente Médio e a incerteza sobre a política monetária no mundo avançado. Internamente, há o desarranjo das contas federais, a elevação de rendimentos acima da produtividade e as dúvidas sobre a evolução da dívida pública.

Como em versões anteriores, a ata ressalta os problemas causados pela ação do governo. Alimentada pelo excesso do gasto federal, a demanda agregada se expande além do potencial produtivo, pressionando os preços. Além disso, esse processo aumenta a insegurança quanto à sustentabilidade da dívida pública e favorece, por si só, a elevação dos juros.

Inflação acumulada em 12 meses ficou abaixo do teto da meta do BC, fixado em 4,5%
Inflação acumulada em 12 meses ficou abaixo do teto da meta do BC, fixado em 4,5%
Foto: Dida Sampaio/Estadão / Estadão

A inflação tem recuado e a taxa acumulada em 12 meses ficou abaixo do teto da meta, fixado em 4,5%. Mas o número ainda é muito superior ao centro do alvo, de 3%. No período de um ano até agosto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 4,22%. As projeções para este ano têm diminuído, mas o último boletim Focus ainda registrou estimativas de 4,92% para 2026 e de 4,30% para 2027.

Novos gastos anunciados pelo governo - e já descritos no mercado e na imprensa como "bondades eleitorais" - estão estimados em R$ 271 bilhões. As medidas incluem linhas de crédito, subsídios e ampliação de programas já incluídos no orçamento da União.

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Segundo o governo, parte das novas despesas deverá ser compensada por um aumento de impostos cobrados de "super-ricos", mas o dado mais seguro, por enquanto, é o aumento do dispêndio. Os benefícios podem ser em parte defensáveis, mas falta verificar como as boas intenções serão compatibilizadas com a aritmética financeira.

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