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Alta do petróleo apoia receita de exportação do Brasil, mas há risco inflacionário, diz FMI

Fundo afirma que economia brasileira tem se mantido resiliente nos últimos anos, apesar de choques repetidos, incluindo tensões comerciais globais

23 jul 2026 - 13h05

Embora os preços mais altos das commodities — especialmente do petróleo — apoiem as receitas de exportação do Brasil no curto prazo, pois o País é exportador líquido de petróleo, um conflito prolongado no Oriente Médio ainda representa riscos por meio de maior inflação, condições financeiras mais apertadas e demanda global mais fraca, avalia o Fundo Monetário Internacional (FMI), em documento do Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP, na sigla em inglês), divulgado nesta quinta-feira, 23.

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Ao descrever o cenário macroeconômico do Brasil, o FMI nota que a economia tem se mantido resiliente nos últimos anos, apesar de choques repetidos, incluindo tensões comerciais globais. A recuperação econômica pós-pandemia tem sido forte em relação a padrões internacionais, com o Produto Interno Bruto (PIB) tendo crescimento real em torno de 3,0% de 2022 a 2025 e renda per capita superando o nível anterior à covid-19, acrescenta.

Para a instituição, o crescimento do crédito foi responsável por apoiar a recuperação econômica, mas tem desacelerado em meio a custos de empréstimos elevados. "Os custos de crédito permanecem estruturalmente altos, além do efeito da taxa de política monetária nos custos de financiamento, especialmente para empréstimos ao consumidor. Segundo análise do BC, isso reflete uma combinação de alto custo de inadimplência, despesas administrativas, margens de lucro, impostos e contribuições para seguro de depósito", afirma o documento.

O FSAP foi concluído em 30 de junho de 2026 e realizado após o FMI se reunir com autoridades-chave do Banco Central, do Ministério da Fazenda, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e de outros ministérios e gabinetes do governo brasileiro, além de entidades e associações do setor privado, incluindo B3, BSM Supervisão de Mercados, Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Associação Brasileira de Bancos (ABBC), bancos, seguradoras e gestores de ativos.

Sistema financeiro do Brasil é resiliente a choques

O FMI considera que o sistema financeiro do Brasil é interconectado — inclusive por meio de exposições ao mercado de títulos soberanos —, enquanto os riscos de liquidez parecem gerenciáveis e amplamente resilientes a choques adversos.

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"Embora o sistema continue dominado por bancos, com dois dos seis maiores bancos sendo estatais, a mudança impulsionada pela tecnologia trouxe novos participantes digitais e uma concorrência mais forte nos serviços bancários", afirma o FMI, mencionando, ainda, que os mercados financeiros cresceram significativamente desde 2018 — data do FSAP anterior —, com forte crescimento nos mercados de títulos corporativos e derivativos, um mercado de crédito estruturado incipiente e intensificação do comércio varejista.

Para o FMI, as autoridades brasileiras contam com uma supervisão de cibersegurança forte e apropriada em meio à rápida digitalização, mas ainda há brechas na supervisão de criptoativos.

Nesta quinta-feira, o BC divulgou nota em que menciona que o FSAP "reconhece os aprimoramentos do funcionamento do SFN desde sua última avaliação feita em 2018".

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