AIE prevê forte recuperação da oferta de petróleo em 2027 após crise causada pela guerra

Agência afirma que aumento da produção poderá aliviar o mercado global, mas reduz projeção para a demanda em 2026 e vê efeitos persistentes do conflito

17 jun 2026 - 10h43

A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê uma forte recuperação da oferta mundial de petróleo em 2027, após mais de um ano de turbulências provocadas pela guerra no Oriente Médio. Segundo a entidade, a produção global deverá crescer cerca de 8 milhões de barris por dia, enquanto a demanda avançará em ritmo mais moderado, cerca de 2 milhões de barris diários.

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No relatório mensal divulgado nesta quarta-feira, 17, a agência afirmou que esse aumento da oferta poderá representar um "alívio bem-vindo" para o mercado internacional de petróleo, além de abrir espaço para a recomposição dos estoques globais, que vêm sendo consumidos desde o agravamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Apesar da perspectiva mais favorável para 2027, a AIE avalia que a recuperação do mercado ainda levará tempo. A agência não espera uma retomada consistente da demanda nem da oferta antes do próximo ano, devido às restrições operacionais e políticas que continuam afetando a produção e o comércio de petróleo.

O relatório destaca que o acordo anunciado entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz representa um passo importante para normalizar o abastecimento global. A rota marítima concentra cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo e teve seu funcionamento comprometido durante a guerra.

Ainda assim, a agência alertou que os impactos do conflito seguem pressionando o setor energético. Por isso, voltou a reduzir sua previsão para a demanda mundial de petróleo em 2026. A expectativa agora é de uma queda de 1,1 milhão de barris por dia, uma redução quase três vezes maior do que a projetada no relatório anterior.

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Os dados preliminares da AIE mostram que as entregas globais de petróleo caíram quase 5% no segundo trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025, refletindo o aumento dos preços dos combustíveis e as dificuldades de abastecimento provocadas pela guerra.

Ao mesmo tempo, os estoques mundiais seguem em queda acelerada. As reservas dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) atingiram o menor nível desde 1990, enquanto os estoques globais encolheram quase 220 milhões de barris entre abril e maio.

Segundo a agência, novas reduções das reservas nos próximos meses podem levar os estoques mundiais a níveis historicamente baixos antes que o mercado volte a registrar excedente de oferta no fim do ano e, principalmente, ao longo de 2027. /AFP

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