O Federal Reserve manteve sua taxa básica de juros estável nesta quarta-feira, mas os formuladores de política monetária esperam um aumento na taxa ainda este ano em meio a preocupações crescentes com a inflação, que permanece acima da meta de 2% do banco central dos Estados Unidos.
Novas projeções trimestrais mostraram que nove autoridades do Fed agora preveem uma alta de juros até o fim de 2026, e o comunicado de política monetária atualizado removeu a linguagem que vinha sendo usada para sinalizar a probabilidade de novas reduções de taxas em 2026.
De fato, o comunicado, em um sinal inicial da influência do novo chair do Fed, Kevin Warsh, removeu completamente qualquer orientação sobre movimentos futuros dos juros. O novo formato simplesmente informou a decisão sobre a taxa e reafirmou a intenção do banco central de manter "reservas abundantes no sistema bancário".
O documento mais curto, um retorno a um formato semelhante ao usado pelo ex-chair do Fed Alan Greenspan, foi aprovado por votação unânime de 12 a 0.
Falando em uma coletiva de imprensa após a reunião do Fomc (comitê de política monetária), Warsh afirmou que o comunicado de política monetária evitou fornecer a chamada orientação futura (forward guidance) porque ela não é "adequada" ao momento econômico atual. Sobre as perspectivas da política monetária, ele disse: "Não posso dar nenhuma orientação futura sobre o que faremos a seguir. A boa notícia é que teremos outra reunião daqui a seis semanas."
O comunicado do Fed mostrou outros sinais da influência inicial de Warsh, que assumiu o cargo após ter sido nomeado no início deste ano pelo presidente Donald Trump, com a expectativa de que entregasse os cortes de juros exigidos pelo republicano.
A descrição da economia abordou temas enfatizados por Warsh, mencionando que "o crescimento da produtividade e o investimento de capital estão fortes".
Embora reconhecesse que a inflação estava "elevada em relação à meta de 2% do Comitê", isso foi atribuído em parte a "choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em certos setores, incluindo energia".
As novas projeções mostram a inflação desacelerando acentuadamente no próximo ano.
"O Comitê entregará estabilidade de preços", disse o documento.
Warsh afirmou na coletiva de imprensa que está lançando uma série de grupos de trabalho que examinarão de forma ampla as operações do banco central, incluindo sua comunicação, o uso do balanço patrimonial, os dados que utiliza e também sua estrutura de atuação para lidar com a inflação.
PROJEÇÃO QUE FALTOU
Apenas 18 dos 19 formuladores de política monetária apresentaram projeções para os juros e, embora o "ponto" ausente não seja identificável, Warsh disse na entrevista não ter apresentado uma projeção.
Warsh também alertou contra dar importância excessiva ao gráfico de pontos com as projeções.
"Eu revisei os gráficos de pontos e, quando vi as projeções enviadas, notei que todas tinham sido feitas a lápis -- daqueles com grandes borrachas na ponta", disse.
A declaração marca um ponto de virada não apenas na liderança do Fed, mas também na perspectiva da política monetária, que desde o outono de 2024 vinha sendo orientada para reduzir os custos dos empréstimos a partir dos níveis elevados de juros usados para ajudar a conter a inflação, que atingiu máximas de 40 anos durante a pandemia de Covid-19.
As projeções das autoridades mostraram que a taxa básica de juros, definida na faixa de 3,50% a 3,75% desde dezembro, subiria até o fim deste ano.
A perspectiva para a inflação foi revisada para cima, de 2,7% para o fim de 2026 para 3,6%, antes de cair para 2,3% no próximo ano. Tudo isso sem um aumento de juros -- consistente com a linguagem da declaração que atribui os preços altos a interrupções de oferta, que normalmente se espera que sejam passageiras.
O crescimento foi revisado ligeiramente para baixo, com a taxa de desemprego no fim do ano projetada em 4,4%, o mesmo nível das projeções de março do Fed.