Acordo UE-Mercosul beneficiará 92% das vendas brasileiras e entra em vigor após trâmites internos

Parlamentos precisam ainda ratificar o tratado; governo celebra liberalização tarifária em setores industriais e agrícolas

17 jan 2026 - 17h08

O acordo Mercosul-União Europeia, assinado na tarde deste sábado, 17, em Assunção, no Paraguai , entra em vigor no mês seguinte após a conclusão dos trâmites internos de validação do pacto.

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Segundo o governo, serão eliminadas tarifas de importação sobre 92% do valor das compras europeias de bens brasileiros e sobre 85% das importações provenientes da UE. Entidades da indústria e do agro comemoram a assinatura.

Ainda segundo o governo, o acordo entrará em vigor um mês depois de concluído o processo de ratificação entre os dois blocos comerciais. No Brasil, o pacto precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional. Já na UE, o acordo comercial depende de aprovação do Parlamento Europeu.

"O acordo estabelece um amplo compromisso de liberalização tarifária em setores industriais e agrícolas, respeitando as especificidades de cada mercado", comemorou o governo brasileiro.

As principais concessões do bloco europeu envolvem: carnes (bovina, suína e de aves); açúcar; etanol; arroz; mel; milho e sorgo; suco de laranja; cachaça; queijos, iogurte e manteiga; e frutas.

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Cerca de 3% dos bens e 5% do valores importado pela UE são de produtos sujeitos a cotas ou tratamentos não tarifários - aplicados especialmente a produtos agrícolas e agroindustriais.

Segundo o governo brasileiro, tal dinâmica reflete o equilíbrio buscado entre a abertura de mercados e a proteção de setores sensíveis para ambas as partes.

Entidades comemoram

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou por meio de nota que o acordo comercial é um marco para a integração externa brasileira.

"Além de liberalizar o comércio de bens, facilita o comércio de serviços e dá mais segurança jurídica aos investimentos bilaterais, cujo estoque originário da UE no Brasil atingiu US$ 290 bilhões em 2024, consolidando-se como o maior investidor no País", afirma a federação.

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A instituição cita que a UE é o segundo maior parceiro comercial do Brasil e que as trocas bilaterais alcançaram US$ 100 bilhões em 2025. No entanto, para que esse legado se transforme em ganhos reais, na visão da Fiesp, o Brasil precisa interpretar o momento como uma nova fase de pragmatismo comercial.

"O processo de 25 anos com a União Europeia não pode ser a regra. O evento de hoje deve servir de aprendizado para que os entendimentos bilaterais futuros do Brasil acompanhem a velocidade das transformações globais e, também, institucionalize uma diplomacia empresarial ativa e constante, colocando o setor produtivo no centro das decisões de política externa", diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Segundo a instituição, a análise dos cronogramas de redução tarifária revela oportunidades concretas. Setores como café (US$ 7,3 bilhões) e ferro e aço (US$ 1,7 bilhão) terão tarifas zeradas em até sete anos. Calçados e têxteis, outro exemplo, serão desgravados em até dez anos. "O acesso a 450 milhões de consumidores europeus que o acordo tem a oferecer é uma oportunidade histórica, mas não está isenta de riscos", afirma a entidade.

A Fiesp afirma que vai atuar pela rápida ratificação do acordo no Congresso Nacional, mas alerta que é necessário o País fazer o "dever de casa" focado na competitividade.

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"Sem a superação de entraves do Custo Brasil e uma postura ativa do governo contra eventuais barreiras de caráter não tarifário pelo parceiro comercial, as vantagens teóricas do tratado correm o risco de não se traduzirem em benefícios para o nosso País", diz a nota.

No agro, também há otimismo. Os setores de sucos cítricos e café apostam em maior competitividade.

Para a Associação Nacional da Indústria Exportadora de Sucos Cítricos (CitrusBR), o acordo deve gerar uma economia tarifária acumulada de aproximadamente US$ 250 milhões (o equivalente a cerca de R$ 1,3 bilhão) nos primeiros cinco anos de vigência para as exportações brasileiras de suco de laranja.

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) estima que o acordo resultará na eliminação da barreira tarifária média de 7,5 % e 9% para café torrado/torrado e moído, e café solúvel.

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