Pelas mensagens vazadas, Daniel Vorcaro fez de tudo para neutralizar Malu Gaspar: monitorou sua vida (inclusive acessando dados sigilosos) para tentar encontrar algo comprometedor, tentou tirá-la de ‘O Globo’ com proposta tentadora de salário feita por terceiros e acionou contato no Grupo Globo para tentar influenciá-la, como indicam as conversas entre o banqueiro e o ex-diretor-geral de Mídia Impressa da companhia, Fred Kachar.
Nada surtiu efeito. A jornalista se mostrou blindada e destemida. Desde setembro de 2025, ela se divide entre a coluna no jornal e os comentários em telejornais da GloboNews, onde suas apurações sobre o interminável escândalo do Master ganharam eco ainda mais alto.
A exposição diária na TV a tornou alvo de críticas, especialmente a respeito da artilharia contra o ministro Alexandre de Moraes, citado nos ‘prints’ do celular de Vorcaro, e a defesa das decisões do ministro André Mendonça, relator original do caso no STF. Os posicionamentos da jornalista geraram atritos ao vivo com alguns colegas de emissora.
Goste-se ou não do estilo de Malu, é necessário reconhecer que ela se tornou um exemplo de ética no exercício da profissão e uma comentarista fundamental para a GloboNews, com suas informações em primeira mão e a disposição para o desejável confronto de ideias diante das câmeras.
Em apenas um ano como contratada fixa do canal, ela pautou outros veículos de mídia várias vezes e ressaltou que analistas de política não podem ficar na zona de conforto.
A pressão de Daniel Vorcaro acabou, mas nota-se que há um esforço de diferentes correntes políticas nas redes sociais para deslegitimar sua atividade.
Aliás, esse é um ótimo sinal de que um jornalista faz um trabalho bem-feito: quando incomoda a todos. Que Malu Gaspar continue insubmissa às forças ocultas da República.