Opinião: Em semana tensa do País, Fantástico 'liga o modo TekPix' e ignora a realidade do Brasil

Programa frio ajuda a explicar a queda de audiência do dominical

12 out 2026 - 12h20
Poliana Abritta estreou série sobre adolescência no Fantástico
Poliana Abritta estreou série sobre adolescência no Fantástico
Foto: Fabio Rocha / Globo

Uma semana após o primeiro turno das eleições mais acirradas da história recente do Brasil, o noticiário político do País virou um caldeirão em ponto de ebulição. Denúncias envolvendo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atuação da Polícia Federal, troca incansável de acusações entre as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e um ambiente de polarização extrema dominaram todas as conversas. 

Porém, se um gringo desembarcasse no país no último domingo e ligasse a TV no Fantástico para entender o momento brasileiro, sairia com a impressão de que vivemos na mais perfeita paz com campanhas 100% sóbrias e sem trocas de farpas. 

Publicidade

Em uma atração com mais de 3 horas e 5 minutos de duração, o dominical reservou a "generosa" cota de escassos 4 minutos e 38 segundos para tratar das agendas dos candidatos. O resto da transmissão? Uma ode ao recém-finado Juarez da TekPix: "Vamos falar de coisa boa". 

Enquanto o país ardia em especulações e tensão institucional, a produção do programa preferiu ocupar o horário debatendo dilemas da adolescência, a situação do Congo, o mercado de carros elétricos, a busca pela imortalidade, desvios de armas e a crônica habitual de crimes do cotidiano. Nenhum tema espinhoso da disputa presidencial, nenhuma investigação sobre as acusações que inflamaram as redes sociais ao longo de toda a semana.

A omissão transforma o principal telejornal de domingo em um produto alienado de seu próprio tempo. O programa comportou-se como aquele eleitor que só pega o santinho na porta da seção eleitoral e vota sem ter a menor ideia da tempestade que cerca o processo democrático.

O descompasso editorial salta ainda mais aos olhos quando resgatado o contexto recente. Apenas sete dias antes, a própria Globo havia entregue uma cobertura eleitoral pulsante e de alto nível, com César Tralli e Renata Lo Prete comandando a apuração com agilidade. Bastou uma semana para a emissora trocar a altivez do jornalismo analítico por uma revista de variedades insossa e com medo de se indispor. 

Publicidade

A constante queda de audiência do Fantástico nos últimos anos não é um acidente de percurso. No fim, é o resultado direto dessa desconexão com o Brasil real. Quem procura jornalismo de impacto muda de canal ou vai para a internet, e o show da vida vai se tornando no máximo um ruído de fundo para o jantar de domingo. 

Fonte: Portal Terra
TAGS
Fique por dentro das principais notícias de Entretenimento
Ativar notificações