Na quinta-feira (13), Carlos Guimarães foi dispensado da Band no Rio Grande do Sul.
Ele era chefe do departamento de Esportes e comentarista na edição local de ‘Os Donos da Bola’.
Numa rede social, o jornalista contestou a explicação recebida para sua dispensa após dois anos na emissora.
“... uma demissão, justificada pelo (protocolar) motivo de ‘contenção de custos’. Poderiam ter dito que foi simplesmente uma escolha. E está tudo certo. Foi uma escolha me demitir.”
Carlos admitiu um sentimento negativo. “Sim, eu tenho mágoa, mas passa.”
E ofereceu retratação por decisões inerentes ao cargo de chefe.
“Peço, por fim, desculpas a quem prejudiquei quando deixei de ser quem eu sou, quando escolhi, por covardia, comodismo ou até necessidade, um caminho incoerente com meus valores.”
Raramente se vê tamanha franqueza nos jornalistas que são dispensados da TV.
A maioria certamente pensa e sente o mesmo que Carlos, mas poucos ousam dizer ou postar, por medo de prejuízo à carreira em um mercado de comunicação em que falar a verdade pode gerar banimento.
Cada vez mais, jornalistas que acumularam décadas de conhecimento, fontes e credibilidade são descartados em nome de cortes e reestruturações.
É natural que uma nova geração conquiste espaço nas redações e diante das câmeras trazendo outras linguagens e referências para atrair mais público.
Mas essa renovação tem resultado no descarte dos veteranos que podem oferecer algo valioso: reunir a experiência da velha televisão com as novas maneiras de transmitir notícias.
Carlos Guimarães já havia trabalhado no Grupo Bandeirantes entre 2008 e 2013 como coordenador de Esportes e comentarista na Rádio Bandeirantes da capital gaúcha.
Além de jornalista, ele também é professor universitário e escritor.