Celebrar 60 anos da TV Globo em um palco não é uma tarefa simples. Transformar décadas de novelas, programas humorísticos, jornalismo, esporte e momentos históricos da televisão brasileira em um espetáculo musical poderia facilmente cair na armadilha da caricatura ou do excesso de referências vazias.
Mas 'Espelho Mágico: O Musical', escrito e dirigido por Gustavo Gasparani, consegue emocionar verdadeiramente quem cresceu diante da televisão.
Em cartaz no Rio de Janeiro, o espetáculo impressiona pela grandiosidade logo nos primeiros minutos. Dividido em dois atos, o musical é extremamente dinâmico e praticamente não dá tempo para o público respirar.
A primeira grande virtude está no elenco. São 32 artistas em cena com uma sintonia tão afinada que, em determinados momentos, parecem funcionar como um uma só vida. Não há dúvidas de que Eliane Giardini é um espetáculo à parte.
Ao viver a simbólica Nossa Senhora das Oito, ela domina o palco com carisma, humor e emoção. Sua presença cênica dá ao musical um ar quase afetivo, como se ela representasse a memória emocional do telespectador brasileiro.
No centro, Marcos Veras brilha como Alfredo, um escritor que tenta transformar um musical em produto televisivo. Os dois conduzem a narrativa com leveza e fazem a peça ganhar humanidade em meio ao gigantismo da produção.
Outro mérito enorme está na forma como o espetáculo consegue dialogar tanto com o público apaixonado por televisão quanto com quem não domina profundamente a história da Glob...
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