O avanço desenfreado e as recentes polêmicas envolvendo as propagandas de casas de apostas esportivas acenderam o sinal de alerta máximo nos bastidores do Grupo Globo.
Diante de uma enxurrada de queixas do público e do risco real de processos, a emissora carioca deu início à criação de um "plano B".
O objetivo é blindar seus negócios e reestruturar a exibição de anúncios de bets em suas transmissões esportivas e programas de entretenimento.
A movimentação de bastidores visa proteger receitas que movimentam centenas de milhões de reais, mas que agora enfrentam forte patrulha jurídica.
A alta cúpula da Globo trabalha no desenvolvimento de um manual de conduta comercial inédito.
O documento já está sob análise rigorosa da diretoria, com o objetivo claro de evitar sanções da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao Ministério da Justiça.
Procurada oficialmente pela coluna, a Globo tentou adotar um tom institucional e respondeu que "toda publicidade veiculada segue a legislação brasileira, as normas dos órgãos reguladores e as regras de autorregulamentação".
A empresa completou informando que acompanha de perto a evolução das leis para garantir uma comunicação sempre responsável com o telespectador.
Fim dos comerciais e veto a ações em reality shows
O novo protocolo comercial da Globo prevê cortes profundos no formato de divulgação das apostas.
A principal medida em discussão é a proibição do chamado testemunhal, recurso em que narradores, comentaristas esportivos ou apresentadores de auditório interrompem a programação para falar diretamente ao público e exaltar as vantagens de determinada plataforma.
Outra barreira rígida será imposta aos reality shows da casa, como o Big Brother Brasil.
A emissora pretende vetar terminantemente qualquer prova, dinâmica ou ação de conteúdo que envolva marcas de apostas.
A meta é eliminar o risco de os órgãos reguladores interpretarem que a Globo está incentivando o vício ou omitindo os riscos financeiros e psicológicos reais da atividade de azar.
Efeito CazéTV
A gota d'água para a tomada de atitude da Globo ocorreu durante as transmissões da Copa do Mundo de 2026.
O público na internet iniciou um boicote e passou a criticar duramente os anúncios considerados abusivos nas plataformas parceiras, especialmente na CazéTV.
O canal do influenciador Casimiro Miguel foi obrigado a recuar e adotar um padrão conservador após o Conar abrir um processo oficial contra a LiveMode.
O imbróglio escalou rapidamente para a esfera federal.
A Senacon instaurou um procedimento oficial de apuração para investigar a Globo, o SBT e a N Sports, todas detentoras dos direitos de transmissão do Mundial.
O objetivo é identificar se as empresas cometeram irregularidades mercadológicas ou feriram o Código de Defesa do Consumidor.
A ordem nas redes de TV agora é recuar para não perder os contratos de vez.
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