A vitória de Grazi Massafera como Melhor Atriz no ‘Melhores do Ano’ do Domingão com Huck é inquestionável. Ela oferece uma atuação impecável da vilã jocosa Arminda.
As outras concorrentes — Bella Campos (Fátima em ‘Vale Tudo’), Débora Bloch (Odete Roitman em ‘Vale Tudo’), Duda Santos (Beatriz em ‘Garota do Momento’) e Taís Araújo (Raquel em ‘Vale Tudo’), com mais ou menos repercussão das interpretações — também seriam merecedoras.
Mas esse tipo de premiação sempre gera injustiças. Desta vez, foram duas: as ausências de Sophie Charlotte e Carol Castro entre as nomeadas.
Na pele de Gerluce, Sophie entrega o melhor desempenho da carreira. Sua maturidade artística está gritante nas cenas mais dramáticas, quando sentimentos doloridos ficam evidentes na expressão, no olhar, na respiração.
Ela transforma a personagem em uma mulher verossímil, como milhões de brasileiras anônimas em luta pela sobrevivência da família, sem deixar de ser a heroína de novela por quem o público tanto gosta de torcer.
Aos 36 anos, Sophie Charlotte atinge o ápice diante das câmeras. Seria justo ganhar uma indicação ao Melhores do Ano’ porque, definitivamente, ela provou a notável evolução de seu talento.
Igualmente penalizada foi Carol Castro. A Clarice de ‘Garota do Momento’ se tornou um de seus melhores trabalhos. Exigiu o completo domínio das emoções.
A personagem oscilava entre doçura e medo, calmaria e tempestade — ora maternal, ora injusta. O tipo de complexidade que é um presente a uma atriz já consistente aos 42 anos.
E há uma ligação entre Sophie e Carol: o carisma, essa qualidade inata que não se aprende em nenhuma escola de atores. Ambas a possuem e sabem usá-la em cena, seja em um momento leve ou numa catarse.
Quase todo prêmio comete essa falha: deixar de fora quem merecia o troféu tanto quanto o vencedor. Resta contar com o reconhecimento genuíno dos telespectadores e cultivar a consciência de que fez jus à vitória.