Vocalista da banda Amyl and the Sniffers processa fotógrafa por uso indevido de imagem

Amy Louise Taylor acusa Jamie Nelson de vender fotos de ensaio como "impressões de arte" sem autorização

2 jan 2026 - 16h33
(atualizado às 16h39)

Amy Louise Taylor, vocalista da banda punk australiana Amyl and the Sniffers, entrou com processo contra a fotógrafa americana Jamie Nelson por exploração não autorizada de sua imagem. A ação foi protocolada na Califórnia e acusa Nelson de vender fotos de um ensaio feito para a Vogue Portugal como "impressões de arte" sem permissão.

Amy Taylor, da banda Amyl and the Snnifers, no festival Coachella 2025
Amy Taylor, da banda Amyl and the Snnifers, no festival Coachella 2025
Foto: Emma McIntyre/Getty Images for Coachella / Rolling Stone Brasil

Segundo documentos obtidos pelo jornal The Guardian, a saga da denúncia iniciou em julho de 2024, quando a empresária da banda, Simone Ubaldi, contatou Nelson para realizar uma sessão de fotos do grupo como promoção do álbum Cartoon Darkness.

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No entanto, a sessão de fotos foi cancelada no mês seguinte, após a banda "comunicar expressamente" a Nelson que não queria que ela usasse seu nome, imagem e semelhança para promover seu próprio negócio de fotografia e vender mercadorias, incluindo "impressões de arte". O álbum foi lançado em outubro do mesmo ano, sem a participação da fotógrafa no conteúdo promocional.

"Conforme explicado à Sra. Nelson, a banda era extremamente zelosa em proteger sua imagem e não queria que as fotos fossem usadas para fins comerciais privados não autorizados pela banda, como a Sra. Nelson havia proposto", afirma o documento judicial. "Consequentemente, a sessão de fotos nunca foi realizada."

No final de março de 2025, Nelson teria contatado Taylor especificamente, desta vez pedindo para fotografá-la "com a intenção expressa de que as imagens resultantes… fossem publicadas com exclusividade na edição de julho de 2025 da Vogue Portugal".

A cantora concordou com o ensaio, mas segundo a denúncia, "em nenhum momento" autorizou ou licenciou a Nelson o direito de fazer qualquer outro uso comercial além da edição exclusiva da revista. As fotos foram tiradas em maio e apareceram na edição portuguesa da Vogue de julho, conforme planejado. No dia 4 de setembro, a fotógrafa enviou a Taylor e Ubaldi uma apresentação de fotos selecionadas que queria vender como "impressões de arte" em seu site.

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"Imediatamente" após receber a proposta, a empresária afirma ter informado Nelson que a vocalista se opunha a venda das imagens e explicou que a fotógrafa não tinha licença ou permissão para comercializar as fotos. Taylor alega que Nelson estava "bem ciente de sua antipatia a tal exploração expandida de sua imagem" e que não existia acordo autorizando a fotógrafa a vender cópias do ensaio.

Segundo os documentos, Nelson continuou buscando uma licença de Taylor em múltiplas ocasiões, mas a artista "rejeitou cada pedido, e nenhum acordo foi alcançado". Ubaldi teria escrito para Nelson em 15 de setembro: "Não estamos interessados em uma compra dessas imagens. Não posso ser mais clara sobre isso - [Taylor] não quer que você venda imagens de seu rosto, ou de seu corpo como impressões de arte. Se você tivesse sido transparente com ela antes do ensaio sobre seu desejo/intenções de vender as fotos, ela teria dito não ao ensaio."

Em 20 de setembro, Taylor descobriu que a fotógrafa estava vendendo gravuras com as fotos em seu site pessoal, e usando as imagens para promover seus empreendimentos comerciais. Além disso, Nelson passou a oferecer uma zine (um tipo de revista de pequena tiragem) intitulada "Champagne Problems", limitada a 225 unidades. A publicação consistia exclusivamente em imagens publicadas e não publicadas do editorial da Vogue Portugal.

"Isso não só foi feito sem a permissão da Sra. Taylor e em direta contravenção aos seus desejos, como parece ter sido feito em retaliação às exigências da Sra. Taylor para que [Nelson] parasse de explorar ilegalmente o nome, a imagem e a semelhança da Sra. Taylor para [seus] interesses comerciais", alegou a empresa judicialmente.

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A queixa afirma que as contas de Instagram e Facebook de Nelson continuam exibindo imagens de Taylor sem licença ou autorização. O documento também declara que "os fãs reconhecem a semelhança da Sra. Taylor por seu espírito rebelde e mistura de uma estética australiana distinta de 'pub rock' - apresentando cortes de cabelo mullet, shorts de futebol americano e um estilo despojado - com o estilo punk dos anos 1970".

"Consequentemente, a Sra. Taylor construiu uma base de fãs substancial, baseada não apenas em seu talento musical, mas também em sua imagem e marca pessoal", completa a denúncia.

A queixa alega que o uso da imagem de Taylor por Nelson provavelmente "causou confusão, erro ou engano" em relação ao apoio da cantora às atividades comerciais da fotógrafa. A ação também sustenta que Taylor "continuará a sofrer" prejuízos, incluindo "lucros cessantes e danos à sua reputação, marca e interesses comerciais".

Nelson disse ao jornal britânico The Guardian que, como os assuntos estavam sendo tratados em tribunal, não seria apropriado comentar publicamente, mas acrescentou que negava as alegações e que responderia a todas as acusações por meio do devido processo legal.

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