Amy Louise Taylor, vocalista da banda punk australiana Amyl and the Sniffers, entrou com processo contra a fotógrafa americana Jamie Nelson por exploração não autorizada de sua imagem. A ação foi protocolada na Califórnia e acusa Nelson de vender fotos de um ensaio feito para a Vogue Portugal como "impressões de arte" sem permissão.
Segundo documentos obtidos pelo jornal The Guardian, a saga da denúncia iniciou em julho de 2024, quando a empresária da banda, Simone Ubaldi, contatou Nelson para realizar uma sessão de fotos do grupo como promoção do álbum Cartoon Darkness.
No entanto, a sessão de fotos foi cancelada no mês seguinte, após a banda "comunicar expressamente" a Nelson que não queria que ela usasse seu nome, imagem e semelhança para promover seu próprio negócio de fotografia e vender mercadorias, incluindo "impressões de arte". O álbum foi lançado em outubro do mesmo ano, sem a participação da fotógrafa no conteúdo promocional.
"Conforme explicado à Sra. Nelson, a banda era extremamente zelosa em proteger sua imagem e não queria que as fotos fossem usadas para fins comerciais privados não autorizados pela banda, como a Sra. Nelson havia proposto", afirma o documento judicial. "Consequentemente, a sessão de fotos nunca foi realizada."
No final de março de 2025, Nelson teria contatado Taylor especificamente, desta vez pedindo para fotografá-la "com a intenção expressa de que as imagens resultantes… fossem publicadas com exclusividade na edição de julho de 2025 da Vogue Portugal".
A cantora concordou com o ensaio, mas segundo a denúncia, "em nenhum momento" autorizou ou licenciou a Nelson o direito de fazer qualquer outro uso comercial além da edição exclusiva da revista. As fotos foram tiradas em maio e apareceram na edição portuguesa da Vogue de julho, conforme planejado. No dia 4 de setembro, a fotógrafa enviou a Taylor e Ubaldi uma apresentação de fotos selecionadas que queria vender como "impressões de arte" em seu site.
"Imediatamente" após receber a proposta, a empresária afirma ter informado Nelson que a vocalista se opunha a venda das imagens e explicou que a fotógrafa não tinha licença ou permissão para comercializar as fotos. Taylor alega que Nelson estava "bem ciente de sua antipatia a tal exploração expandida de sua imagem" e que não existia acordo autorizando a fotógrafa a vender cópias do ensaio.
Segundo os documentos, Nelson continuou buscando uma licença de Taylor em múltiplas ocasiões, mas a artista "rejeitou cada pedido, e nenhum acordo foi alcançado". Ubaldi teria escrito para Nelson em 15 de setembro: "Não estamos interessados em uma compra dessas imagens. Não posso ser mais clara sobre isso - [Taylor] não quer que você venda imagens de seu rosto, ou de seu corpo como impressões de arte. Se você tivesse sido transparente com ela antes do ensaio sobre seu desejo/intenções de vender as fotos, ela teria dito não ao ensaio."
Em 20 de setembro, Taylor descobriu que a fotógrafa estava vendendo gravuras com as fotos em seu site pessoal, e usando as imagens para promover seus empreendimentos comerciais. Além disso, Nelson passou a oferecer uma zine (um tipo de revista de pequena tiragem) intitulada "Champagne Problems", limitada a 225 unidades. A publicação consistia exclusivamente em imagens publicadas e não publicadas do editorial da Vogue Portugal.
"Isso não só foi feito sem a permissão da Sra. Taylor e em direta contravenção aos seus desejos, como parece ter sido feito em retaliação às exigências da Sra. Taylor para que [Nelson] parasse de explorar ilegalmente o nome, a imagem e a semelhança da Sra. Taylor para [seus] interesses comerciais", alegou a empresa judicialmente.
A queixa afirma que as contas de Instagram e Facebook de Nelson continuam exibindo imagens de Taylor sem licença ou autorização. O documento também declara que "os fãs reconhecem a semelhança da Sra. Taylor por seu espírito rebelde e mistura de uma estética australiana distinta de 'pub rock' - apresentando cortes de cabelo mullet, shorts de futebol americano e um estilo despojado - com o estilo punk dos anos 1970".
"Consequentemente, a Sra. Taylor construiu uma base de fãs substancial, baseada não apenas em seu talento musical, mas também em sua imagem e marca pessoal", completa a denúncia.
A queixa alega que o uso da imagem de Taylor por Nelson provavelmente "causou confusão, erro ou engano" em relação ao apoio da cantora às atividades comerciais da fotógrafa. A ação também sustenta que Taylor "continuará a sofrer" prejuízos, incluindo "lucros cessantes e danos à sua reputação, marca e interesses comerciais".
Nelson disse ao jornal britânico The Guardian que, como os assuntos estavam sendo tratados em tribunal, não seria apropriado comentar publicamente, mas acrescentou que negava as alegações e que responderia a todas as acusações por meio do devido processo legal.