De um conselho despretensioso à parceria em uma das bandas mais inventivas do rock nacional, o ex-baixista dos Mutantes e produtor musical Liminha falou sobre o convívio com Sérgio Dias, guitarrista da banda paulistana.
A conversa aconteceu no podcast apresentado pelo ex-baterista dos Titãs, Charles Gavin, no canal da Roland Brasil (via Whiplash).
Um dos destaques do papo foi a exaltação do guitarrista de quem Liminha foi companheiro nos Mutantes no fim dos anos 1960 e início da década de 1970. Sérgio Dias, segundo o baixista e produtor, era um instrumentista genial em habilidade e criatividade.
"O Sérgio era anos-luz na frente de todos os guitarristas. Anos-luz, cara. Todo mundo era perna de pau perto dele."
Liminha lembrou um conselho recebido de Sérgio durante o ensaio de uma banda da qual ele participava. Isso foi antes dos Mutantes. Segundo Liminha, Sérgio percebeu que ele tocava sempre em uma mesma direção. Para aumentar a velocidade, Sérgio recomendou uma outra técnica:
"Você toca tudo para baixo. Você tem que tocar uma para baixo e uma para cima que você vai dobrar sua velocidade."
O conselho foi recebido e aplicado, segundo Liminha:
"Esses toques que o Sérgio me deu fizeram com que eu começasse a tocar muito bem da noite pro dia."
https://www.youtube.com/watch?v=RmLtVUk6Y-s&source_ve_path=MTc4NDI0
Contribuição de outro irmão
O que também fornecia qualidade à música de Sérgio Dias era a contribuição do irmão. E não era Arnaldo Baptista, outro integrante dos Mutantes. Era Cláudio César Dias Baptista, que construía os equipamentos da banda e já foi chamado de "Professor Pardal dos Mutantes".
Cláudio construiu para o irmão uma guitarra que já vinha com a própria distorção, sem a necessidade do uso de pedais. Liminha contou que o circuito era de seis distorções na guitarra, uma para cada corda. O ex-baixista dos Mutantes chamou a engenhoca de "coisa de louco" e Cláudio César de "gênio", arrematando:
"Não sei como é que ele chegava nessas coisas naquela época. Imagina, sem internet."