Após uma sequência ininterrupta de álbuns aclamados ao longo da década de 1980 — culminando no "progressivo" Seventh Son of a Seventh Son (1988) —, o Iron Maiden iniciou os anos 1990 em busca de uma sonoridade mais crua e direta. O resultado dessa guinada foi No Prayer for the Dying (1990), oitavo álbum de estúdio do grupo britânico e o primeiro a contar com o guitarrista Janick Gers no lugar de Adrian Smith.
Embora o disco ocupe uma posição modesta na preferência de boa parte dos fãs e da crítica especializada, o fundador e baixista Steve Harris sai em defesa da obra. Para o músico, No Prayer for the Dying é um trabalho sólido que refletia o momento em que a banda buscava simplificar sua proposta após anos de produções e turnês grandiosas.
Em entrevista à revista Metal Hammer, Harris explicou a intenção por trás do álbum na época:
"Naquele momento, tínhamos crescido muito, com todos aqueles shows grandiosos, então estávamos tentando voltar um pouco ao básico."
Ele acrescenta, defendendo a qualidade do repertório presente do disco:
"Acho que é um álbum muito forte."
O baixista revelou que a sonoridade mais rústica foi influência do primeiro trabalho solo do vocalista Bruce Dickinson, Tattooed Millionaire (1990), no qual o cantor explorou um tom mais áspero. Buscando capturar a energia de uma performance ao vivo, a banda optou por gravar o disco em um celeiro adaptado nas propriedades de Harris, utilizando o estúdio móvel dos Rolling Stones.
Harris admitiu que, se pudesse alterar algo na produção do álbum hoje, adicionaria ruídos de plateia para acentuar a atmosfera de registro ao vivo — recurso que foi aplicado no clipe do single "Tailgunner". Ele também defendeu faixas que receberam críticas na época, como a épica "Mother Russia":
"Eu buscava uma sonoridade que remetesse ao compositor russo do século 20 Sergei Prokofiev — e acho que consegui —, mas, mesmo assim, a música foi detonada."
Steve Harris também ama 'The X Factor', do Iron Maiden
No Prayer for the Dying não é o único trabalho contestado do Iron Maiden a contar com o respaldo de seu criador. Em entrevista publicada no livro biográfico Run to the Hills (1998), Harris também defendeu The X Factor (1995) — álbum que marcou a estreia do vocalista Blaze Bayley em substituição a Dickinson.
Apesar da rejeição comercial e crítica na época, o baixista chegou a classificar o disco de 1995 no seu "top 3" pessoal de álbuns do Iron Maiden, ao lado de Piece of Mind (1983) e Seventh Son of a Seventh Son (1988).
"Achei um álbum especial. Goste ou não, havia aquela pressão adicional de nos darmos bem por causa do novo cantor; então, realmente desviamos nosso caminho para tentar torná-lo o mais forte possível."
Frente às reações negativas que alguns discos receberam ao longo da carreira do Iron Maiden, Steve Harris explicou sua postura:
"Se alguém diz que não gosta de algo, isso me faz abraçar aquilo ainda mais. Você precisa acreditar no que faz."